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Etiqueta gastronômica de Tóquio: o guia definitivo para comer na capital japonesa

Rebecca Milner

Quer mergulhar na famosa (e maravilhosa) cena gastronômica de Tóquio, mas está com medo de cometer alguma gafe imperdoável? Nesse artigo, reunimos tudo o que você precisa saber para fazer uma refeição como um morador da região. Dica: não é tão difícil quanto parece. Na verdade, uma vez descoberta a lógica por trás da cena gastronômica japonesa, tudo faz muito sentido.

 

Saber como usar hachis é tudo o que você precisa para mergulhar na cena gastronômica de Tóquio © Kiattipong / Shutterstock

Os restaurantes de Tóquio são pequenos

São bem pequenos. Isso é o mais importante que você precisa saber sobre comer na cidade. Um restaurante pode ter apenas 12 bancos em um balcão e talvez duas mesas, cada uma para quatro pessoas. Essa combinação não é, de maneira alguma, rara. Muitas convenções da cena gastronômica de Tóquio nascem do que é necessário para manter estabelecimentos tão pequenos funcionando. A cena gastronômica também é extremamente competitiva. Por isso, a maior parte dos restaurantes opera com margens bem pequenas.

 

Uma atmosfera intimista está presente em muitos restaurantes de Tóquio, como os izakaya (restaurantes tipo pub) de Shibuya © Lottie Davies / Lonely Planet

Restaurantes morrem de medo de reservas canceladas

Imagine um restaurante autoral com 20 lugares e o impacto que um cancelamento de reserva de uma mesa para quatro pessoas pode causar naquele estabelecimento. Especialmente se, naquela manhã, o chef foi ao mercado apenas para comprar os ingredientes da sua refeição.

Infelizmente, há uma crença comum nos restaurantes de Tóquio de que turistas faltam a reservas com mais frequência do que os locais. Talvez haja alguma verdade nisso: afinal, pode ser estressante ir a um restaurante onde as pessoas não falam a mesma língua que você (e os forasteiros não precisam se preocupar com a vergonha de aparecer ali de novo).

O mais provável é que alguns poucos exemplos tenham ganhado uma proporção maior, gerando essa fama. Mas, a cada reserva cancelada, esse rumor aumenta, tornando ainda mais difícil que turistas consigam fazer reservas. Há alguns restaurantes que apenas as aceitam por meio do hotel; outros exigem que lhes seja informado um número de telefone local.

Se realmente não conseguir comparecer à reserva, por favor, entre em contato com o restaurante – de preferência, no dia anterior (sua hospedagem pode ajudá-lo nisso). Note que, às vezes, é exigida uma taxa de cancelamento, podendo ser o equivalente ao valor de uma refeição completa.

 

Chef em um restaurante no bairro de Roppongi © Lottie Davies / Lonely Planet

Mas eu preciso fazer uma reserva?

Boa pergunta! A resposta curta é: geralmente não. Muitos restaurantes casuais nem aceitam reservas; é o caso de alguns estabelecimentos populares que usam como propaganda a longa fila de espera que se forma em sua porta. Para esses lugares, a estratégia é ir fora dos horários de pico, que, em geral, são entre 11h30 e 13h, e 17h e 19h30 – mas não vá no meio da tarde, pois é quando os restaurantes costumam fechar.

Agora, as exceções: caso o restaurante seja considerado um ponto turístico ou um lugar que você deseja muito conhecer, então, sim, reserve uma mesa (se o restaurante aceitar reservas, claro). Estabelecimentos requintados esperam essa atitude de você, embora aceitem clientes extras se tiverem lugares e ingredientes excedentes. No momento da reserva, aproveite a oportunidade para informar quaisquer restrições alimentares que você tenha (restaurantes sofisticados são mais flexíveis quanto a isso).

Quem mora em Tóquio tende a fazer reservas para qualquer encontro planejado em restaurantes de preço médio para cima. Isso não significa que você precise agir de igual modo, mas, sim, que talvez não consiga uma mesa na sua primeira escolha de restaurante. Sexta e sábado à noite são os dias mais cheios, porém, os moradores locais saem todas as noites da semana.

Realmente é uma questão do que você prefere: ficar preso a um horário, mas poder comer onde quiser, ou ter de improvisar tudo. Se você for do tipo flexível e que gosta de decisões espontâneas, não fazer reservas é uma ótima opção – desde que você não esteja com um grupo grande.

 

Seja com grelhas ao ar livre ou pratos cuidadosamente dispostos em um restaurante requintado, a cena gastronômica de Tóquio impressiona por seu frescor e sua variedade © Gumpanat Thavankitdumrong / Alamy Stock Photo

O tamanho do grupo importa

Normalmente é fácil para um restaurante arranjar lugares para duas pessoas, é mais difícil para quatro (você precisará esperar uma mesa) e é bem mais problemático acomodar grupos com mais de quatro pessoas. Na verdade, alguns restaurantes exigem que grupos de cinco ou mais liguem com antecedência. Em estabelecimentos casuais e de serviço rápido, como balcões de noodles, considere separar o seu grupo em pares para não demorar tanto (o que também deixará o dono do restaurante mais feliz).

A boa notícia para quem viaja sozinho é que Tóquio é uma cidade que abraça refeições solitárias – todos no balcão vão se apertar, abrindo espaço para você. Os garçons podem até lhe oferecer uma das cobiçadas mesas, caso haja alguma disponível, para que você possa comer e ler seu livro em paz e com dignidade – só não demore muito.

Preste atenção no tempo

Depois de cancelamentos de reservas, a maior preocupação dos restaurantes é com a demora nas mesas – especialmente durante o horário de almoço. Não é segredo que almoçar em Tóquio pode ser bem barato, mas os restaurantes apenas oferecem esses preços porque esperam atender bastante gente. Além disso, Tóquio é uma cidade em que a cultura é de almoços curtos.

Os donos de restaurantes ficam de mau humor se você ocupar uma mesa por muito tempo, bebendo chá, sem pedir mais nada. Enrolar em balcões de noodles também não é uma boa ideia. Os moradores locais sabem que, se quiserem continuar conversando, devem ir para o café mais próximo. E, sim, os milhares de cafés parecem desafiar toda a lógica de mercado (nós também não sabemos como há tantos abertos).

 

Empanturrar-se de noodles é uma das experiências gastronômicas mais memoráveis de Tóquio © Angelo DeSantis / Getty Images

Observe o ambiente

A verdade é que os restaurantes não se importam tanto com as gafes de turistas como você pensa. Claro, o chef pode morrer um pouco por dentro se você colocar molho shoyu em um peixe já temperado – da mesma maneira que chefs em outros lugares do mundo se entristecem quando você salga a comida antes de provar. Há apenas duas coisas que se você fizer provavelmente perturbarão as pessoas: espetar seus hashis verticalmente em uma tigela de arroz ou passar comida de um par de hashis para outro. Ambos os gestos são parecidos com ritos funerários budistas.

De fato, Tóquio conta com alguns chefs famosos por serem exigentes, mas eles são definitivamente a minoria. A maioria prefere que você saboreie o prato em vez de se preocupar com a ordem certa de comê-lo. Dica: elogiar dizendo “Oishii desu!” (que significa “Isso está delicioso!”) compensa quase qualquer coisa.

 

Trem de sushi: não há por que temer cometer uma gafe nos casuais restaurantes de esteira de Tóquio © bluehand / Shutterstock

Na verdade, para evitar embaraços, você apenas precisa fazer o que os japoneses fazem: observar o ambiente. Cada restaurante tem sua própria cultura, ditada pelo dono e pelos seus clientes regulares. Em alguns, você precisa gritar para ser ouvido, outros são silenciosos e sóbrios. Todo morador, ao entrar em um restaurante pela primeira vez, examina rapidamente o lugar e se ajusta de acordo com ele.

Não se preocupe demais

Se tudo isso parece uma grande chateação, saiba que muitos moradores da região compartilham dessa opinião. É por isso que há muitas cadeias de restaurantes com garçons de meio período que não se importam se você não aparecer, pedir pouca comida ou deixar poças de shoyu pela mesa. Em geral, esses estabelecimentos têm lojas maiores, e acomodam grupos grandes. Neles há mais chances de encontrar menus em inglês, áreas distintas para fumantes e não fumantes, além de refeições infantis. São baratos e normalmente muito bons.

Este artigo foi publicado em Setembro de 2019 e foi atualizado em Setembro de 2019.

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