PacíficoDicas e artigos

Nova Zelândia no inverno

Não tem só baleia na N.Z não!

Sarah Bennett e Lee Slater

Dizem que a Nova Zelândia ganhou o nome Maori de Aotearoa, ou “a terra da longa nuvem branca”, graças aos seus longos dias. Mesmo no inverno, esse apelido funciona, pois não faltam sol e bom clima aos meses neozelandeses mais frios. 

Evite filas, preços salgados e o grande movimento da alta temporada e vá para a Nova Zelândia na baixa estação (maio a setembro), aproveitando as suas concorridas atrações com mais calma e algumas belezas próprias dessa época.

Viagem no trem da Tranz Alpine

Uma das mais maravilhosas viagens de trem do mundo, a TranzAlpine (kiwirailscenic.co.nz/tranzalpine) liga o leste de South Island às costas oestes passando pelos Southern Alps, os Alpes do Sul. A sequência de paisagens notáveis que se descortina diante dos seus olhos fica ainda mais linda no inverno – das Planícies de Canterbury salpicadas pelo gelo aos vales nevados do parque nacional Arthur’s Pass (doc.govt.nz/parks-and-recreation/national-parks/arthurs-pass), passando por largos e sinuosos rios alimentados pelas cachoeiras que escorrem das montanhas. Ignore a má fama da West Coast molhada – os habitantes locais explicarão que a chuva cai “em grandes gotas e principalmente à noite”!

 
Arthur's Pass

 

Aventura no Parque Nacional Abel Tasman

Famoso por suas gloriosas praias douradas e uma trilha que atravessa toda a sua costa, o Abel Tasmin National Park fica lotado de trilheiros e praticantes de esportes aquáticos no verão. Quando chega o outono, porém, essa onda de visitantes diminui consideravelmente, apesar de o clima ser bom ali o ano todo. Aí está a sua grande chance de saborear o parque nacional mais concorrido da Nova Zelândia com tranquilidade, quando avistar animais fica ainda mais fácil e os preços, bem mais baixos. Boas opções para explorar o parque no inverno são o caiaque e as trilhas. Hospedar-se nele também é uma ótima opção, graças às cabanas – Great Walk Huts – do Departamento de Conservação. Para mais informações, visite o website.

 
Golden Beach no Abel Tasman National Park

 

Pedalando pela Hauraki Rail Trail

Linda, fácil e pertinho de Auckland – não à toa, a trilha Hauraki Rail Trail (haurakirailtrail.co.nz) tornou-se um verdadeiro sucesso. Uma das novas trilhas para pedaladas (nzcycletrail.com) da Nova Zelândia, tem 82 km e cruza linhas ferroviárias históricas pelas planícies verdejantes entre Thames e Te Aroha, passando, ainda, pela Gorge Karangahake, conhecida por seus pioneiros históricos e pelas relíquias encontradas em suas minas de ouro. Evite a alta temporada, quando há congestionamento de bicicletas, e faça a trilha no inverno, partindo da cidade de Thames para aproveitar o vento suave que sopra de norte a leste. Abasteça a cestinha com comida caseira que encontrar nos cafés ao longo do caminho, depois cure-se do friozinho no Te Aroha Mineral Spas.

Comer e beber em Wellington

Não há nada como uma cena gastronômica vibrante para espantar aquele desânimo típico do frio, e ela está de fato fervendo em Wellington. Durante o festival culinário que dura uma quinzena em agosto, você terá a desculpa perfeita para se aconchegar em restaurantes. O Wellington on a Plate (wellingtononaplate.com) é repleto de eventos relacionados à comida, que varia da estranha à sublime, enquanto mais de 100 restaurantes criam menus especiais para o festival. Já que o paladar está em pauta, aproveite para conhecer uma ou mais cervejarias artesanais (craftbeercapital.com) para provar algumas das novas invenções da cidade.

 
Panorama de Wellington

 

 
Island Bay, Wellington

 

Golden Guitar Week em Gore

A pequenina cidade de Gore – lá no extremo sul – abriga o maior festival de música country do país todos os anos, em junho. A Gold Guitar Week (goldguitars.co.nz) é um verdadeiro resgate dos tempos em que se dançava animadamente aos pares, com diversos shows e uma competição de músicos de rua chamada “Freeze Ya Bits Off”. A semana finalize com a premiação Gold Guitar Awards. Além disso, Gore ainda tem a surpreendentemente ótima galeria de arte Eastern Southland Gallery (carinhosamente conhecida como “Goreggenheim”) e um excelente pequeno museu que celebra o passado dos uísques ilegalmente destilados na região – com degustações perfeitas para espantar o friozinho.

Baleias em Kaikoura

Os cachalotes perambulam o ano todo pela costa de Kaikoura, empanturrando-se com as águas repletas de lulas, e a operadora Whale Watch (whalewatch.co.nz) pode levar você para assistir ao espetáculos. Quando chega o inverno, alguns outros coleguinhas grandões – baleias jubarte, piloto e franca-austral – passam para dar um oi durante a sua migração da Antártica para os trópicos. De junho a agosto é a melhor época para avistá-las, e você ainda ganha um bônus: as montanhas nevadas que se erguem próximas ao litoral. Passeios de caiaque (kaikourakayaks.co.nz) são uma opção fantástica para cruzar com os animais de Kaikoura durante o ano todo.

 
Kaikoura - que vista!

 

Trilha de Aotea

Linda, irregular e repleta de vegetação exuberante: a Great Barrier Island é a própria natureza selvagem a um pulinho de Auckland. Fica muito movimentada no verão, mas, quando chega o inverno, é muito menos visitada, apesar do clima ameno do norte. Dias mais frescos podem combinar céus azuizinhos e condições perfeitas para aproveitar as vistas da Aotea Track (doc.govt.nz/parks-and-recreation), uma trilha de três dias que penetra o interior da floresta e escala o seu mais alto pico, o Hirakimata (627 m). Duas cabanas aconchegantes e fontes termais no caminho tornam essa uma trilha maravilhosa para o inverno.

Hanmer Springs

Uma pausa terapêutica entre Christchurch e Kaikoura, Hanmer Springs é o melhor balneário de fontes termais da Nova Zelândia. A cidadezinha fica situada em uma bacia pitoresca, cercada por montanhas, cujo centro é o Thermal Pools &Spa (hanmersprings.co.nz) – um paraíso para os hedonistas, com todo tipo de piscinas geotermais a céu aberto, tobogãs, tratamentos de spa, áreas para piquenique e cafés. Se conseguir se arrancar daqui e ir embora, encontrará muito mais a fazer na área, como trilhas, cavalgadas, mountain biking, jetboating e até bungeejumping.

Queenstown

Queenstown tem diversão que não acaba mais. Jogue sobre ela a brancura da neve, e tudo fica ainda mais vibrante. Os fãs dos floquinhos brancos e das pistas de esqui podem escolher entre quatro zonas onde se pratica o esporte, assim como um parque nevado para a prática do estilo livre, com 40 km de trilhas, na Snow Farm. Some a isso passeios sobre esquis e sobrevoos de helicóptero para avistar algumas das paisagens mais lindas dessa terra, e pode ser que você queira que o inverno nunca acabe. O movimentado festival de inverno de Queenstown, o Winter Festival (winterfestival.co.nz), começa sempre em junho.

Festival Russell Birdman

Esse festival superdivertido, que dura um fim de semana inteiro (russellbirdman.co.nz) em julho encoraja (ok, talvez um pouco bêbados) a vestir fantasias ridículas de pássaros e bater asas pelo puro prazer da zombaria. Assim como muitas espécies aviárias da NZ, há os que não chegam a dominar, exatamente, a arte de voar...Localizada no “norte extremo sem inverno”, a charmosa cidade histórica de Russel é uma via útil para se chegar às delícias aquáticas da Bay of Islands (Baía das Ilhas), como passeios de barco para observação de golfinhos. Também há lazer cultural ali perto, no Waitangi Treaty Grounds, local de fundação da Nova Zelândia moderna.

 

 
Waitangi, Bay of Islands

 

Sarah Bennett e Lee Slater são coautores do guia Nova Zelândia, da Lonely Planet, e dos guias Hiking & Tramping New Zealand. Para segui-los no Twitter: @BennettnSlater.

 

Este artigo foi publicado em Agosto de 2014 e foi atualizado em Novembro de 2014.

Pacífico