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Conheça o Marrocos: 5 cidades imperdíveis

Bem-vindo ao Marrocos

Marrakech

Souk de Marrakech e Jemaa el-Fna
Foto por: Camptures/iStock/ThinStock

 

Assim que chegar a Marrakech, você terá a nítida sensação de que deixou algo para trás. Será que esqueceu a escova de dentes ou as meias? Não. O que falta em Marrakech é previsibilidade e senso de direção. Não se importe: aqui é melhor assim. Comece na movimentada Jemaa el-Fna e siga em direção ao norte até o labirinto de souqs da cidade, onde, no passado, tribos berberes comercializavam escravos, ouro, marfim e couro e onde os turistas de hoje vasculham becos lotados em busca de tapetes e babouches (chinelos de couro) baratos. Procure com cuidado e também vai encontrar novas butiques e galerias criativas. Elas representam a transformação da medina, estimulada por uma nova geração de artesãos e artistas que tentam conectar o anseio da cidade por modernidade com a herança do artesanato tradicional.

Além dos souqs, a medina é o lugar ideal para explorar palácios e riads particulares, muitos dos quais hoje oferecem as acomodações mais charmosas da cidade. Mas vale a pena sair do centro velho de vez em quando para jantar, beber e apreciar galerias de arte na ville nouvelle (centro novo), passear de mountain bike no palmeraie (oásis de palmeiras) ou cavalgar e relaxar no deserto de Agafay e em Ouirgane, no fim de semana.

 

Casablanca (Dar el-Baïda)

Mesquita Hassan II ao anoitecer
Foto por: 
silverjohn/iStock/ThinStock​

 

Muitos viajantes ficam em Casablanca apenas tempo o bastante para trocar de avião ou pegar um trem, mas essa metrópole merece mais tempo. Talvez não seja tão exótica quanto outras cidades marroquinas, mas é a capital econômica do país e representa o Marrocos em evolução: Casablanca é onde o dinheiro é feito, onde a indústria está, onde galerias exibem arte contemporânea de ponta e estilistas têm uma janela para o mundo. O antigo covil de piratas olha para o futuro, esbanjando riqueza e sucesso.

O primeiro general-residente francês, Louis Hubert Gonzalve Lyautey, contratou o arquiteto francês Henri Prost para remodelar Casablanca no início do século 20 como centro econômico do novo protetorado e, de fato, como a joia das colônias francesas. Suas avenidas largas e seu moderno projeto urbanístico ainda sobrevivem e dão à cidade ares mais europeus do que marroquinos. Lyautey, no entanto, subestimou o sucesso do próprio projeto, e a cidade cresceu muito além de seus elaborados planos. No fim da Segunda Guerra, Casablanca tinha uma população de 700 mil pessoas e era rodeada de favelas superlotadas.

Os habitantes de Casablanca são os marroquinos mais cosmopolitas e receptivos ao estilo de vida ocidental. Isso fica evidente na forma como se vestem e como homens e mulheres se divertem juntos em restaurantes, bares, praias e casas noturnas. Mas a Europa não é a única inspiração. Cada vez mais jovens casablanquinos se dão conta de que seu país tem uma história fascinante.

Casablanca, uma das cidades mais cosmopolitas do Marrocos
Foto por: sarra22/iStock/ThinStock

 

Casablanca é cheia de contradições. A cidade abriga amplas avenidas, parques públicos bem cuidados, fontes e impressionante arquitetura colonial, mas também é rodeada de favelas enormes e matizada por problemas sociais em ebulição.

As fachadas austeras dos subúrbios contrastam com as joias mouriscas, modernistas e art déco do centro da cidade e com o excepcional símbolo de Casablanca, a enorme e ornamentada Mesquita de Hassan II.

A medina – centro velho – é compacta e fica próxima ao porto. Nos arredores fica a Pl des Nations Unies, um grande entroncamento que marca o coração de Casablanca. As principais vias da cidade irradiam desse ponto: Ave des Forces Armées Royales (Ave des FAR), Ave Moulay Hassan I, Blvd Mohammed V e Blvd Houphouët Boigny.

A Ave Hassan II leva à Pl Mohammed V, facilmente reconhecível pelos grandiosos prédios administrativos art déco. Os bairros Quartiers Gauthier e Maarif, próximos ao Parc de la Ligue Arabe, concentram a maior parte da ação, com uma infinidade de lojas, bares e restaurantes.

Ali perto fica também o Quartier Habous (conhecido como nouvelle medina) e Aïn Diab, subúrbio à beira-mar que abriga hotéis de luxo e casas noturnas.

O desenvolvimento de Casablanca é tão empolgante que fica fácil imaginar os espíritos do general Lyautey e de Henri Prost trabalhando em um novo projeto para a cidade, embora dessa vez com orgulho marroquino em lugar da altivez colonial francesa. A nova linha de bonde aliviou parte da pressão do trânsito da cidade e melhorou bastante o ambiente no centro. Ao longo da avenida da orla em Anfa, enormes projetos estão em construção. O novo Morocco Mall – sustentável, premiado e com 200.000m² de área – é o maior “shopping de destino” do norte da África e abriga lojas e escritórios, além de um grande aquário e um cinema IMAX de 400 lugares. Na orla, a leste da Mesquita de Hassan II, ficam a Marina de Casablanca (que ainda precisará de alguns anos para ser concluída) e a estação de trem Casa Port, que atravessa uma reforma. Casablanca hoje mostra uma face confiante ao resto do Marrocos – e ao mundo.

 

Essaouira

Essaouira (que se pronuncia “essa-uíra”, ou “es-suira” em árabe) é ao mesmo tempo familiar e exótica, com muralhas, porto pesqueiro e gaivotas sobrevoando a cidade. À primeira vista, ela parece saída da francesa Bretanha – o que fica menos estranho quando se sabe que Essaouira foi projetada pelo mesmo francês que projetou a cidade portuária mais famosa da Bretanha, Saint-Malo. Ainda assim, depois que se atravessa as muralhas, ela é também puro Marrocos, com travessas estreitas, vento que supostamente enlouquece, cheiro de entranhas de peixe e maresia misturado a aromas de temperos e madeira, mulheres de haik (véu) branco, sombra de palmeiras ao meio-dia nas muralhas vermelhas e o som de tambores e canto gnaoua reverberando em casas e lojas.

É o vento costeiro – que ganhou o belo nome de alizee, ou taros, em berbere – que, apesar das multidões, garante a personalidade de Essaouira. Ele sopra forte demais para atrair turistas em busca de sol, areia e mar: na maior parte do ano é impossível sentar na praia, já que a areia é soprada horizontalmente no seu rosto. Não é surpresa que Essaouira tenha o apelido “Cidade do Vento” e atraia praticantes de windsurfe. Turistas em busca do sol seguem até Agadir, de clima temperado. O charme da cidade é que ela não foi totalmente dominada pelo turismo. O porto pesqueiro é tão agitado quanto sempre foi, os carpinteiros ainda são incríveis em sua arte e a medina é tão importante para os moradores quanto popular entre os turistas.

Essaouira fica numa região de fronteira de duas tribos: os árabes chiadmas ao norte e os berberes hahas ao sul. Acrescente também os gnawas, originalmente do sul da África, e os europeus, e tem-se uma rica mistura cultural. A luz e a beleza sempre atraíram artistas para Essaouira, e a cidade tem cena artística florescente. O escultor Boujemâa Lakhdar criou um museu local nos anos 1950 e, no processo, inspirou uma geração de artistas. Desde então, pintores naïf autodidatas, que pintam sonhos em paletas coloridas, ganharam reconhecimento internacional, principalmente graças aos esforços das Galeries d’Art Damgaard.

O inverno é a época para conhecer a verdadeira Essaouira, quando o vento sopra ainda mais forte e as ondas explodem contra as defesas da cidade. No verão, chegam ondas de turistas marroquinos, a praia fica lotada e é difícil encontrar acomodação.

 

Xexuão (Chefchaouen)

Vista de Xexuão, a cidade azul
Foto por: 
Juan García Aunión/iStock/ThinStock​

Belamente aninhada abaixo de picos áridos do Rife, Xexuão é uma das mais lindas cidades do Marrocos, uma artística vila de montanha com prédios pintados de azul que parece ser um mundo à parte. Embora o turismo já tenha se enraizado, o equilíbrio entre tranquilidade e autenticidade é perfeito. A antiga medina tem adorável influência marroquina e andaluz, com telhados vermelhos, prédios azuis claros e travessas estreitas que convergem na agitada Plaza Uta el-Hammam e sua casbá restaurada. Há muito conhecida dos mochileiros pela fácil disponibilidade de kif (maconha), a cidade foi alvo de muitas melhorias e oferece uma variedade de acomodações de qualidade, boa comida, muito a fazer e nenhum problema digno de nota, o que a torna uma boa alternativa a passeios frenéticos por várias cidades. Esse é um ótimo lugar para relaxar, explorar e fazer passeios de um dia pelas serras verdes. Famílias, tomem nota.

Xexuão é dividida em áreas leste (a medina) e oeste (ciudad nueva, ou cidade nova). O coração da medina é a Plaza Uta el-Hammam, com a inconfundível casbá. As muralhas da medina foram reparadas recentemente, com financiamento espanhol. A principal via da cidade nova é a Ave Hassan II, que parte da Plaza Mohammed V, praça arborizada projetada pelo artista Joan Miró, passa pelo portão Bab el-Ain e margeia a muralha da medina antes de entrar nela. A avenida então chega ao fim na Pl el-Majzen, o principal ponto de chegada dos ônibus. A rodoviária fica a 1,5km de subida íngreme do centro. As cachoeiras de Ras el-Maa ficam logo depois das muralhas da medina.

 

Fez

A antiga muralha de Fez
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typhoonski/iStock/ThinStock

 

Há cerca de 10 anos, Fez explodiu como destino turístico. Choveu dinheiro na cidade, com estrangeiros comprando riads na Medina e novos parques e fontes sendo criados na ville nouvelle. Segundo as revistas de viagem e decoração ocidentais, Fez se tornara a nova Marrakech. Então, a Primavera Árabe e acontecimentos semelhantes em outros países muçulmanos prejudicaram o turismo. Agora, no entanto, parece que os investimentos estão voltando, como atesta a quantidade de novos hotéis sendo construídos e antigos sendo reformados em Fez.

Mas os moradores de Fez sabem que sua cidade transcende os caprichos do turismo. É uma cidade antiga e extremamente autoconfiante que não tem nada a provar. Dinastias e períodos de grande prosperidade vieram e se foram nos seus 1.200 anos de existência, e Fez continuará de pé quando a próxima tendência sair de moda.

A fidelidade – ou submissão – de Fez sempre foi essencial para quem quer que ocupasse o trono marroquino. O movimento de independência do Marrocos nasceu na cidade, e quando há greves ou protestos, costumam ser mais intensos em Fez.

Para os visitantes, a medina, Fès el-Bali, (Velha Fez) é o grande atrativo da cidade. É um ataque aos sentidos, um labirinto de ruas estreitas e mercados cheios de barracas de comida aromáticas, oficinas de artesanato, mesquitas e um desfile interminável de pessoas. O velho e o novo colidem constantemente: você verá homens conduzindo burros ou mulas, que continuam sendo a principal forma de transporte, falando ao celular, e antenas parabólicas e minaretes ocupam o mesmo espaço no horizonte.

Porém, anos de negligência cobraram seu preço na medina. As autoridades parecem ter acordado; as muralhas da cidade foram reparadas e muito está sendo feito para conservar os prédios. Há andaimes por toda parte. Apesar de todo o romance que os visitantes veem na vida da medina, muitos moradores se renderam aos costumes estrangeiros e trocaram suas condições de vida, por vezes medievais, por apartamentos modernos na ville nouvelle.

O truque é mergulhar de cabeça. No início é uma experiência avassaladora, mas depois que se acostumar ao ritmo da cidade, você verá os encantos de Fez das formas mais inesperadas. Becos aparentemente sem saída levam a praças com fontes maravilhosas, embaladas ao som de batedores de cobre. A diversão começa quando você se perde em Fez.

 

Esta matéria faz parte do guia Marrocos, lançamento da Lonely Planet. Em breve nas livrarias.

Este artigo foi publicado em Maio de 2015 e foi atualizado em Maio de 2015.

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