Havana

Ah, Havana... cidade de paradoxos e contradições imensuráveis, onde a beleza sedutora divide espaço com a espetacular decadência, e a iconografia revolucionária convive com o sol, o mar, a areia, a sensualidade e o resquício de socialismo austero que está se diluindo. A trajetória histórica é fascinante, exibida em museus e nos projetos de restauração, e também na música, da rumba de rua ao exagero dos cabarés. Mas o grande encantamento
de Havana está em seu teatro urbano, nos fragmentos crus de sua vida cotidiana e em tudo mais que acontece ao redor: as mães com bobes no cabelo, as crianças jogando beisebol, os trovadores andarilhos e o médico que fuma um charuto ao mesmo tempo que tenta dar a partida em seu Plymouth de 1951. A maior atração de Havana é sua autenticidade. Os habañeros não sobrevivem, apenas: eles nadam e mergulham, planejam e sonham, criam e debatem e, acima de tudo, vivem com rara paixão.

Última atualização: 10 de Setembro de 2014