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Granada além da Alhambra

Granada além da Alhambra

A Alhambra de Granada, um complexo palaciano de mil anos de idade que se ergue como uma fantasia das Mil e Uma Noites ao pé da cordilheira de Sierra Nevada, é algo difícil de se esquecer. Depois de banhar-se na glória de seus vaidosos soberanos nasridas entre palácios ornados e jardins ainda mais ornamentados, tudo mais poderá parecer anticlimático.

Entretanto, Granada é muito mais do que apenas uma cidadela mourisca mergulhada em moderna cobertura cristã. Culturas lendárias colidem nesta cidade andaluzia, criando um mix nebuloso de boêmios, poetas, empresários, artistas e músicos. Aqui estão algumas ideias sobre onde ir assim que a atração principal acabar.

Bairro do Realejo

Cambaleando para fora do complexo de Alhambra, boquiabertos e de imaginações acaloradas, visitantes inspirados geralmente se encontram no bairro do Realejo, uma vizinhança caiada e escarpada subindo as ladeiras que se voltam ao sudoeste da colina de Alhambra. Vale a pena demorar-se por aqui. Outrora o principal bairro judeu da cidade, Realejo é notável por suas cármenes (grandes mansões com jardins murados). A Carmen de los Martires, com seus jardins esplendidamente desgrenhados e unma mansão restaurada do século 19, reside no lugar do antigo (e de nome muito estranho) Convento das Carmelitas Descalças. A Casa Museo Manuel de Falla já pertenceu ao maior compositor clássico da Espanha do século 20. Dentro de suas paredes você encontrará o piano original de Manuel de Falla e um jardim perfumado transbordando de rosas e jasmins.

Federico García Lorca

As complexidades de Granada ficam mais claras quando você penetra a vida e a obra do maior poeta e dramaturgo espanhol, Federico García Lorca. Lorca nasceu em Granada em 1898 e capturou a paixão e a ambiguidade da cidade numa coleção precoce de poemas e peças. A modesta e charmosa casa onde nasceu, em Fuente Vaqueros, 17km a oeste de Granada, é agora um museu repleto de fotos interessantes, pôsters e parafernália de suas peças. Você também pode fazer um passeio guiado (com possibilidade de reserva prévia) pela sua antiga casa de veraneio, a Huerta de San Vicente, localizada a uma caminhada de 25 minutos do centro da cidade. 

Banhos mouriscos

O melhor balneário de Granada, Hammams de Al-Andalus, oferece algo um tantinho menos tumultuado que uma casa de banhos marroquina e um tanto mais autêntico que o típico spa com velas e incenso que você encontra em casa. Os banhistas reclinam-se em opulência no estilo da Alhambra em piscinas subterrâneas sustentadas por pilares intrincados, sorvendo chá de hortelã e evocando cenas de Omar Sharif no filme Lawrence da Arábia.

Hotéis palacianos

Depois de ter visto a Alhambra, ficar num hotel que a lembra vagamente pode parecer um sonho distante. Mas o sonho pode ser parcialmente realizado num dos hotéis-butique meticulosamente restaurados de Granada. A Casa Morisca Hotel, do século 15, com seus 15 quartos à la Alhambra organizados em volta de pátio e fonte ornamentais, poderia competir com os melhores riads de Marraqueche. Mais mágica mourisca pode ser vislumbrada no Hotel Casa del Capitel Nazarí, um palácio renascentista de 1503, tanto uma lição de arquitetura histórica quanto acomodação de primeira linha.

Flamenco autêntico

Enquanto Jerez e Sevilha sempre brigaram pelo berço expressivo do flamenco, Granada forjou um ramo musical todo próprio. A Granadina é um lamento ornamental à base de violões que imita o complexo estuque e as fontes gotejantes da Alhambra. É melhor escutá-la nas profundezas do labirinto de ruas de Albaicín, no Peña de la Platería, um genuíno clube de flamenco para aficcionados, com espaçoso pátio ao ar livre que recebe performances dramáticas desde 1949.

Teterías

Meio milênio passou desde que Boabdil, o Mouro deu seu último suspiro, mas os costumes refinados do último emir da Espanha persistem nas teterías árabes de Granada — salões de chá embelezados com pufes, luminárias sombrias e muito estuque. As melhores teterías ficam no bairro mourisco de Albaicín, especialmente na Calle Calderería Nueva, e são populares com os boêmios que se amontoam tarde da noite em suas mesas pintadas à mão, dividindo baforadas dos onipresentes shishas (narguilés).

Tapas grátis

Os cínicos dizem não haver coisa parecida com um almoço grátis, mas os bares de tapas de Granada provam que a coisa não é por aí. Graças, em parte, a uma cota acima da média de estudantes, a cidade é um dos últimos bastiões de uma nobre prática antes muito comum na Espanha. Comece a sua peregrinação pelos bares da Calle de Elvira ou da Calle Navas e gravite em direção ao caos organizado das Bodegas Castañeda, um favorito da velha guarda. Um prato gratuito de tapas é servido com cada rodada de bebidas que você pedir.

Brendan Sainsbury – Autor da Lonely Planet

 

Este artigo foi publicado em Maio de 2013 e foi atualizado em Novembro de 2014.

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