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10 melhores hospedagens econômicas em 2014

Anfiteatro em Plovdiv, Bulgária

Você não precisa gastar aos tubos para ter uma experiência fantástica. Estes lugares cheios de personalidade, nos quatro cantos do mundo, oferecem conforto e charme em grandes destinos –custam, todos, menos de 100 dólares a noite, e muitos têm dormitórios coletivos por apenas alguns dólares. Aqui está a nossa seleção de 10 hotéis e albergues econômicos para 2014.

1. The Backpack, Cidade do Cabo, África do Sul

Esse albergue-butique da Cidade do Cabo abriu em 1990, quando acabou o Apartheid e as proprietárias decidiram criar uma hospedagem econômica digna da nova África do Sul. Fiel a essa missão, o Backpack continua sendo um lugar descolado e vibrante, onde se pode jogar sinuca no pátio, provar cervejas locais no bar e organizar uma excursão à savana ou participar de alguma ação social. A decoração “afro-funk” é como uma tela colorida com miçangas Xhosa e tecido shweshwe, fazendo jus ao título atual da cidade, de Capital Mundial do Design 2014 (www.wdccapetown2014.com). A lojinha vende colares Zulu, bonecas Xhosa e bolsas com a cara do Mandela.

As acomodações variam de barraca e pequenos dormitórios com banheiro a luxuosos quartos no sótão, com atrativos como vigas de madeira expostas e claraboias com vista para a Table Mountain. E, o melhor de tudo, o Backpack colabora com os estudos superiores de seus funcionários africanos e com programas locais.

“Nas minhas muitas estadas no Backpack, sempre desfrutei da atmosfera sociável, que é incentivada pelos funcionários tagarelas e com frequência leva a noites animadas nos bares da Long Street, próxima dali.”-James Bainbridge

2. Sydney Harbour YHA, Sydney, Austrália

Localização, vistas, diárias baratas, história, equipe simpática? É difícil dizer o que, exatamente, faz desse um dos melhores albergues do mundo, então talvez seja melhor dizer que é tudo. A localização, em Rocks, é imbatível, com ruazinhas lotadas de pubs convidativos com vistas para o porto. O que nos leva às vistas do próprio albergue: a maioria dos quartos possui lindos panoramas, mas, para a melhor vista de todas, suba ao terraço, do qual se tem um ângulo de 360 graus, abrangendo a Opera House, a Ponte da Baía de Sydney e, basicamente, todo o resto. E, embora os hotéis ali perto cobrem caro por essas vistas, o YHA cobra o que se espera desse tipo de albergue – a partir de 45 dólares por uma cama em dormitório coletivo. Além disso, a equipe é simpática e a decoração, estilosa e prática. Tem até alguns velhos (para o padrão Sydney, claro) resquícios arqueológicos para explorar no porão.

“Para alguém como eu, interessado em história e apreciador de boas vistas, esse lugar foi sob medida. Peguei o quarto 214 (o melhor) e poderia passar a minha estada inteira só olhando pela janela.” - Cliff Wilkinson

3. Inkosana Lodge, Champagne Valley, Drakensberg, África do Sul

Quando há uma plaquinha na sua cama indicando que ela está feita, você sabe que está em um lugar bem organizado. Aninhado entre as encostas onduladas do Champagne Valley, na região de Drakensberg, o Inkosana Lodge tem de tudo, de um cenário deslumbrante nos jardins engenhosos, com vista para os picos de Drakensberg, a ótimas opções de hospedagem – um acampamento com beliches para mochileiros e cabanas com teto de palha (com ou sem banheiro dentro). Há, ainda as braais (churrasqueiras) e uma cozinha para cada um fazer o que quiser.

O Inkosana é um ponto de partida perfeito para caminhadas – longas e curtas. Felizmente, seu carismático proprietário, Ed, é um escalador experiente – e sabe tudo sobre as trilhas da região. Porém, o Inkosana também é conhecido por ser um refúgio relaxante – com muitas aves, piscina e refeições caseiras.

“Chego a ter arrepios quando me sento nos gramados do Inkosana ao anoitecer, assistindo às belas formações de nuvens sobre os picos enquanto ouço pássaros ou canções das vilas próximas que ecoam por todo o vale (ah, e se é música que você procura, o Inkosana fica localizado perto do Coral de Meninos de Drakensberg, que faz apresentações no verão).”-Kate Armstrong

4. Old Plovdiv Guesthouse, Plovdiv, Bulgária

Esteja você degustando o animado café da manhã no pátio ensolarado ou aconchegando-se na cama retrô, a Old Plovdiv Guesthouse emana o charme de velho mundo de todos os cantos. Esse albergue-butique lindamente reformado fica bem no coração da colorida Cidade Antiga, toda de paralelepípedos, de Plovdiv. Quartos privativos e dormitórios são todos decorados com antiguidades selecionadas e tons pastéis lindamente pintados, variando de alaranjado ao azul anil.

A propriedade inteira é um trabalho de amor de seu proprietário, Hristo Giulev, e da mulher dele, que a salvaram da degradação. Hoje, está irreconhecível, tão linda quanto os museus folclóricos espalhados na Cidade Antiga. E a equipe inteira trata os hóspedes como familiares.

“Após 10 minutos da minha chegada, estava sentada com um chá quente e uma cesta de peixes, tagarelando com o proprietário, que imediatamente me enturmou com os outros viajantes que estavam indo na mesma direção que eu. As boas-vindas que recebi nessa pousada foram um fator fundamental para eu me apaixonar por essa cidade cheia de personalidade.” - Anita Isalska

5. Gasthof Grüner Baum (www.gasthofgruenerbaum.it), Glorenza, Sudtirol, Itália

Na ponta longínqua do Val Venosta, pertinho da fronteira com a Suíça, fica Glorenza, uma cidadezinha inteiramente cercada por muralhas medievais e incrustrada em meio aos Alpes mais selvagens e cheios de neve da Itália. A fachada tipicamente tirolesa da Gasthof Grüner Baum domina a praça central de paralelepípedos da vila, mas o que espera você lá dentro é bem inusitado. A estrutura de cerca de 500 anos é combinada com um visual contemporâneo e gracioso ao mesmo tempo. Luminárias nos corredores, paredes muito brancas, mobília clássica e uma seleção de antiguidades. Há apenas 10 quartos: cada qual único, com bastante espaço e móveis elegantes e modernos, detalhes vintage e roupa de cama básica, mas requintada.

“A primavera estava demorando a chegar quando passei um fim de semana em Glorenza; clima molhado, com um friozinho descendo dos picos Ortler ainda nevados. Tempo perfeito para relaxar na banheira à moda antiga do meu quarto, inteirar-me sobre a história dos afrescos locais na tranquilidade da biblioteca e demorar-me no jantar substancioso, cheio de sabores, acompanhado por um vinho branco, com as belas montanhas ao fundo.” - Donna Wheeler

6. Oztel, Rio de Janeiro, Brasil

Um dos fundadores da ideia de transformar o Botafogo em um enclave artístico-boêmio, com boa vida noturna, atraindo turistas para longe dos hotéis caros demais de Copacabana e Ipanema, esse albergue e hotel-butique é uma revelação conceitual: prova que design arrojado não precisa ser sinônimo de frieza e falência bancária. Localizado discretamente em uma rua comum, sob o nariz do Corcovado – e, portanto, sob a icônica estátua do Cristo Redentor – ficar no Oztel é como atravessar o espelho de Alice.

Caminhando sobre o mármore impecável, dos quartos privativos no jardim, com vista para a Cristo, ao bar colorido e à varanda estilosa, todo o espaço evoca uma estética Warholiana, que deixa você com a sensação de ter passado uma noite no Museu de Arte Moderna de NY. E o fato de pagar módicos 55 reais por uma cama na alta temporada é quase utópico.

"Já tive a minha fase de albergues, mas o Oztel é diferente de todo lugar em que já pisei, especialmente se levar em conta o fator preço em um país caro como o Brasil. Por trás das paredes simples, há um mundo kitsch, com um design que mais parece escandinavo, não tropical; mas o melhor de tudo é que os proprietários mantêm o espaço como uma obra de arte, não um hotel -e muito menos um albergue.” - Kevin Raub

7. Fauzi Azar Inn, Nazaré, Israel

A Fauzi Azar Inn, cujo nome homenageia o patriarca da família proprietária, que morreu tentando salvar a casa de um incêndio, é uma inspiração. Salva de anos de degradação graças aos esforços de um mochileiro israelense, a casa de pedra de 200 anos, em estilo otomano, foi restaurada à sua antiga glória (com afrescos e tudo mais) e agora funciona como uma das mais interessantes hospedarias de todo o mundo.

O destaque da estada é o passeio a pé organizado pelo lugar, que permite um mergulho autêntico na vida árabe dentro de Israel, além de ajudar a comunidade local. O lucro desse tipo de atividade turística tem ajudado a recuperar a Cidade Antiga de Nazaré, transformando-a de reduto criminoso a uma área cada vez mais próspera.

“Ao redor da mesa do café da manhã, ouvindo a neta de Fauzi Azar falar da história da casa e do impulso de fé necessário para uma antiga família árabe permitir que um jovem judeu a reformasse me deu a esperança de que territórios compartilhados podem ser encontrados, é só uma questão de prestar atenção.” - Tom Hewitson

8. We Hostel Design, São Paulo, Brasil

Em uma linda mansão branca de 100 anos, no arborizado bairro residencial da Vila Mariana, o We se destaca entre as hospedagens lotadas de São Paulo. Se não for por sua varanda, que cerca quase toda a construção, nem por seu exterior preservadíssimo, é por sua decoração de interiores minuciosamente pensada: mobília retrô perfeitamente colocada aqui, antiguidades garimpadas estrategicamente posicionadas ali, e uma grande atenção geral ao design que nenhum albergue com a cabeça no lugar sonharia em ter. Piso de tacos de madeira e uma escada em espiral evocam outra era da cidade, quando forma e função ganhavam da dupla eficiência e preço. Embora os quartos sejam mais simples, eles se beneficiam da arquitetura antiga, com grandes janelas pelas quais passa a luz natural e muita madeira. Conceito de “albergue”: redefinido.

"Minha primeira impressão quando cheguei ao We foi 'Como eles mantêm um albergue tão bonito?' Os viajantes podem até colaborar para o desgaste, mas esse lugar foi obviamente pensado com o cuidado de uma Downton Abbey. Daí comecei a prestar atenção aos detalhes: até a louça é fruto de meticulosas buscas, além de ser belamente apresentada. Parece uma exibição do Museu dos Albergues Modernos de Meados do Século 20, exceto que, aqui, você pode sentar nas cadeiras e andar pelos corredores." - Kevin Raub

9. Hotel Hotel Hostel, Seattle, EUA

Com esse nome pouco convencional, não é de se surpreender que o Hotel Hotel Hostel, na cidade americana de Seattle, fique em Fremont, seu bairro mais excêntrico, famoso pelas estranhas esculturas públicas, lojas de quinquilharias e o desfile anual de ciclistas nus.

Em um edifício terracota esmagado entre um bar e um pequeno laticínio, seu interior é moderno, mas minimalista, com paredes de tijolinho à vista, carpete cinza no mais puro estilo escritório e camas baixas, criando um visual que pode ser descrito como ‘industrial-chique’. Longe de ser apenas mais um albergue para mochileiros sem grana, o HHH é um híbrido que acolhe viajantes de todo tipo. Pode-se relaxar em seu lounge quase esterilizado, de tão limpo, e na cozinha com os hippies mais velhos, moderninhos mais jovens e até pais com crianças. Além de dormitórios e quartos duplos, alguns com banheiro privativo, há ainda um quarto especialmente projetado para famílias.

“O maior atrativo do albergue é a sua localização. Longe de sirenes, mendigos e aquele clima 24h do centro de Seatle, esse é um lugar para ir quando se quer experimentar as atrações mais incomuns da cidade, em um bairro cujo lema é ‘De Libertas Quirkas’ (Liberdade para ser Estranho).” - Brendan Sainsbury

10. On the Corner, Kolomyya, Ucrânia

Os proprietários dos palácios cinco-estrelas da Ucrânia têm coçado a cabeça, de tão perplexos que estão nos últimos anos. A razão? Bem, eles não conseguem entender como uma pousada administrada por uma família em uma cidadezinha provinciana ao pé dos Cárpatos pode ser eleita sucessivamente como a melhor hospedagem do país.

A resposta é simples – administrado por Vitaliy Pavliuk, pela mãe dele e por muitos tios, primos e por aí vai, o On the Corner oferece uma experiência familiar, como se reunisse parentes e velhos conhecidos. Pratos caseiros do leste europeu de dar água na boca, uma infraestrutura surpreendente, passeios com guias muito bem informados e uma atmosfera de autêntica hospitalidade da região dos Cárpatos tornam essa de longe a melhor base para explorar o tapete cultural que se estende por ali. E, quando você volta à noite, uma boa troca de causos à mesa coletiva do jantar, com outros viajantes internacionais, é garantida.

“Cheguei ao ‘On the Corner’ um dia antes da visita do embaixador americano – ele havia ouvido muitos elogios que os membros do Corpo da Paz fizeram a esse lugar e decidiu ir ver se era tudo verdade!” - Marc di Duca

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Este artigo foi publicado em Abril de 2014 e foi atualizado em Novembro de 2014.