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Os melhores lugares para observar tigres em seu habitat natural

Sarah Reid

Com apenas 3.890 tigres restantes na natureza, a adrenalina de ver um desses raros e misteriosos predadores em seu habitat natural é simplesmente incomparável. É também uma alternativa muito mais sustentável do que ver tigres em cativeiro – muitas dessas atrações, inclusive, são alvos de críticas por maus-tratos a animais.

O mundo moderno não foi gentil com os tigres. Três das nove subespécies foram extintas no século passado, e as seis restantes estão ameaçadas, algumas criticamente, devido à perda de habitat desse animal e também à sua caça ilegal. Há boas notícias, porém. Nos últimos anos, aumentou a quantidade de tigres de bengala e siberianos na natureza; além disso, melhorou a infraestrutura de turismo nos seus habitats, oferecendo aos visitantes uma boa chance de ver esse animal com um impacto mínimo para a espécie. Selecionamos os melhores lugares para que você tente a sorte.

 

Tigre de bengala solto na Índia © James Warwick / Getty Images

Madhya Pradesh, Índia

Lar de 70% dos tigres selvagens do mundo (no último censo de 2014, a população de tigres de bengala estava em 2.226), a Índia oferece as melhores oportunidades para ver esse animal. De suas 50 reservas de tigres, Madhya Pradesh – conhecido na Índia como o “estado tigre” – abriga algumas das mais acessíveis e bem organizadas reservas do país, incluindo Kanha, que afirmam ser o cenário do clássico de Rudyard Kipling, O Livro da Selva. O Parque Nacional de Ranthambore, no Rajastão, e a Reserva de Tigres Corbett, em Uttarakhand, também oferecem boas chances de ver um tigre.

  • Como os safáris funcionam: Com exceção de Satpura, em Madhya Pradesh, que é a única reserva que oferece safáris a pé, os demais são conduzidos em Maruti Suzuki Gypsies e podem ser marcados para os horários matutinos, vespertinos e, às vezes, noturnos com um guia local. Planeje quatro passeios para ter mais chances de ver um tigre.
  • O que mais há para ver: Provavelmente, você também verá cervos – especialmente sambar, pintados ou do pântano –, aves de rapina (corujas e águias), gauros, langures, macacos e, se você tiver sorte, um bicho-preguiça ou um gato selvagem.
  • Quando ir: A maioria das reservas de tigres fecha na estação das monções, entre julho e setembro. Embora os tigres possam ser vistos o ano todo, os meses quentes de pré-monções de abril e maio tendem a oferecer as melhores chances (especialmente em fontes de água).
  • Faça acontecer: Como as reservas são remotas, tours organizados são uma opção atraente. A PureQuest Adventures oferece uma “Aventura no Livro da Selva” de 13 dias, que inclui as reservas de Satpura, Pench e Kanha. Se preferir ficar em um lugar só, a Forsyth Lodge opera em Satpura e trabalha com a comunidade local para oferecer transfers até o aeroporto de Bhopal, uma viagem de quatro horas.

 

O número de tigres no Nepal está crescendo – e Bardia é um dos melhores lugares para ver um © Utopia_88 / Getty Images

Parque Nacional de Bardia, Nepal

Graças aos esforços focados na conservação da espécie, o número de tigres de bengala no Nepal quase dobrou na última década, com mais de 235 animais passeando por cinco parques nacionais. Chitwan pode ser o mais famoso, mas, no remoto noroeste do país, o Parque Nacional de Bardia é considerado o melhor lugar para ver um dos cerca de 80 tigres que vivem ali.

  • Como os safáris funcionam: Todos os postos de safári de Bardia oferecem os passeios a pé ou de 4x4. Embora você possa ir mais longe com um safári motorizado de meio dia, um a pé de dia inteiro lhe fornece uma visão mais íntima da vida selvagem. Com guias segurando apenas uma vara de bambu para proteção (ataques de tigre são raros, mas não impossíveis), a aventura é maior.
  • O que mais há para ver: Fique de olho nos cerca de 30 grandes rinocerontes de Bardia, além de lontras, crocodilos, elefantes selvagens, cinco espécies de cervos e mais. No mínimo, você conhecerá Vikram, um rinoceronte vítima de um conflito entre humanos e fauna e que está passando o resto dos seus dias em um cativeiro perto da entrada do parque.
  • Quando ir: Bardia fica aberto o ano todo, mas na Índia, em geral, é mais fácil ver tigres na estação mais quente, quando esses animais (e também os rinocerontes) podem ser vistos se refrescando no rio Girwa.
  • Faça acontecer: Das dezenas de postos de safári dentro ou próximos da vila de Thakurdwara, perto da entrada do parque, o Bardia Ecolodge se destaca por suas refeições excelentes e um fantástico guia local. Para ter mais conforto, considere o luxuoso Karnali Lodge, comandado pela pioneira do turismo responsável TigerTops. Todos os bons postos providenciam transporte saindo do ponto de ônibus local ou de Nepalganj, o aeroporto mais próximo.

 

Um tigre de bengala bebe de uma poça no Parque Nacional de Sundarban © Roop_Dey / Shutterstock

Sundarbans, Bangladesh

Cortando Índia e Bangladesh, Sundarbans é a maior floresta de mangues do mundo. Estima-se que o lugar abrigue mais de 100 tigres de bengala, e o labirinto enevoado de canais e pequenas ilhas é mais bem visto do lado de Bangladesh, que oferece um acesso mais profundo, maximizando suas chances de avistar um tigre. Realmente vê-los, porém, é algo raro.

  • Como os safáris funcionam: Os safáris consistem em passeios de barco de vários dias, saindo da cidade de Khulna, no sudoeste, ou nas proximidades. Você faz suas refeições e dorme a bordo do barco principal, mas, durante o dia, são separados grupos menores para seguir tigres, seja a pé (acompanhados por um guarda florestal armado) ou em barcos menores (que seguem pelos canais mais estreitos).
  • O que mais há para ver: Sundarbans abriga grande variedade de vida selvagem – você pode esperar crocodilos de água salgada, javalis selvagens, langures e muitas das 260 espécies de pássaros da região.
  • Quando ir: A estação mais fria vai de outubro a março – quando é possível ver tigres tomando sol nas margens dos rios – e é a mais confortável para visitar o lugar, mas é mais provável que você veja os animais na água durante os meses mais quentes, de abril e maio.
  • Faça acontecer: A britânica Responsible Travel oferece um safári de oito dias em Sundarbans com um guia zoólogo. Boas operadoras de Khulna, como a Bengal Tours e a Guide Tours, oferecem passeios de barco de três dias.

 

Acompanhe pegadas na neve na Rússia para ter a chance de ver um tigre siberiano © Kathleen Reeder Wildlife Photography / Getty Images

Reserva Durminskoye, Rússia

Encontrados principalmente no leste da Rússia e no norte da China, os tigres siberianos (ou tigre de amur) são os maiores da espécie e os mais ameaçadas. Caçados até próximo à sua extinção, nos anos 1940, foram salvos quando a Rússia se tornou o primeiro país a conceder plena proteção aos tigres em 1965. Com a população atual desses animais em torno de 540, contudo, a chance de ver um é baixa.

  • Como os safáris funcionam: A maioria dos tours é realizada na Reserva Durminskoye, um santuário de 20 mil hectares, a três horas de Khabarovsk, no sudeste da Rússia, e o principal habitat dos tigres siberianos restantes. A maioria das excursões funciona como projetos de ciência, com os visitantes perseguindo marcas a pé ou de snowmobile, montando armadilhas fotográficas e revisando filmagens, o que é uma contribuição valiosa para a proteção da espécie.
  • O que mais há para ver: Fique de olhos abertos para ver lobos, linces, texugos e aves de rapina. Nos meses de verão, ursos negros asiáticos aparecem às vezes.
  • Quando ir: Os meses de inverno (especialmente novembro e fevereiro) oferecem ao visitante melhores chances de encontrar tigres.
  • Faça acontecer: A Natural World Safaris realiza um tour de sete dias na Reserva Durminskoye, comandado pelo importante conservacionista russo Alexander Batalov. Batalov gerencia o Russia Tiger Tracking, o primeiro ecolodge da Rússia dedicado a rastrear tigres; o lugar também aceita reservas independentes.

Este artigo foi publicado em Dezembro de 2019 e foi atualizado em Dezembro de 2019.