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Viagem eco-friendly: oito destinos com turismo sustentável

Tamara Hinson

Viagem eco-friendly: oito destinos com turismo sustentável

 

Tamara Hinson

Lonely Planet Writer

 

Adotar o hábito de fazer turismo sustentável não significa nunca mais embarcar em um avião ou apenas viajar para lugares desconhecidos. Em vez disso, por que não investir em conhecer cidades que estão implementando iniciativas que minimizam o impacto do turismo no meio ambiente?

Em muitos aspectos, viajar pode ser uma força positiva, então inicie sua escapada eco-friendly em um desses dez destinos engajados em fazer a sua parte – em alguns deles, encontramos hotéis comprometidos em reduzir o consumo de energia; em outros, tours pioneiros, além de atividades elaboradas para fortalecer comunidades locais e ajudar no fortalecimento da vida selvagem.

 

Viva o charme dos lagos italianos e ajude o meio ambiente no lago de Garda. © Lukasz Szwaj / Shutterstock

 

Lago de Garda, Itália

As margens exuberantes do lago de Como atraem celebridades mundialmente famosas, como George Clooney, mas, quando se trata de meio ambiente, quanto maior o lugar, melhor! O lago de Garda, o maior da Itália, está conectado diretamente a Milão via trem – permitindo aos visitantes que deixem os carros em casa (ou na locadora) –, além de ser o lar de um dos hotéis mais eco-friendly do país.

O deslumbrante Lefay Resort e Spa compensa sua emissão de CO2 totalmente e 60% de sua energia vem de fontes renováveis. Seu design, feito com materiais de tecnologia de ponta, minimiza a dispersão de calor e energia; já o telhado é coberto com vegetação para reduzir a poluição visual, além de favorecer a flora e a fauna locais. Sente-se culpado por causa do voo que pegou para chegar até Milão? Então, alivie o estresse com uma massagem no spa, o primeiro da Itália a ganhar o certificado de Spa Ecológico da Ecocert.

 

O eco-guerreiro Hotel Valsana é a joia da coroa em uma cidade dedicada à sustentabilidade. © Hotel Valsana

 

Arosa, Suíça

Arosa é o lar do Hotel Valsana, o primeiro hotel suíço a ser aquecido por uma “bateria de gelo” – um sistema de reciclagem de energia que reutiliza a energia excedente que, de outro modo, teria sido lançada no ambiente. Essa charmosa cidade alpina ajuda o meio ambiente de outras maneiras também. Vários hotéis possuem postos de carga para carros elétricos e há até um posto gratuito no centro da cidade.

A área também recebeu o status de Pérola Alpina – reconhecimento às suas práticas ecológicas que promovem uma “mobilidade verde” – pela associação de turismo de mesmo nome. Essa organização, financiada pela União Europeia, promove e incentiva as comunidades a irem além quando se trata de turismo sustentável.

 

Saguão do Pikaia Lodge, nas ilhas Galápagos. © LunaseeStudios / Shutterstock

 

Ilhas Galápagos, Equador

Visitar as remotas ilhas Galápagos é o sonho de muita gente. No entanto, para se chegar a esse lugar atraente para os viajantes – mas também isolado –, é preciso pegar transportes que utilizam muita gasolina. A boa notícia? Vários estabelecimentos – como o Pikaia Lodge – fazem de tudo para proteger esse frágil ecossistema e compensar os custos ambientais de se ir para lá.

Acredite ou não, esse inovador hotel de carbono-neutro é todo em aço, material escolhido devido à sua facilidade de ser reciclado. As paredes são revestidas de pedra vulcânica coletada em áreas aprovadas pelo Galápagos National Park Service, e as portas e os móveis são de madeira de teca sustentável. O hotel possui seu próprio programa de reflorestamento (10 mil árvores nativas foram plantadas até agora), e a água vem de um sistema de coleta de chuva instalado no teto. A maioria das agências de turismo do local possui credenciais ecológicas, mas pesquise antes de fazer a sua reserva e, se for viável, viaje com um grupo pequeno, a fim de causar o menor impacto possível no meio ambiente local.

 

Produtos orgânicos, energia solar e esforços de conservação ambiental têm ajudado a proteger as incríveis belezas naturais das Bahamas. © pics721 / Shutterstock

 

Bahamas

Recentemente, diversos estabelecimentos nas Bahamas começaram a adotar uma atitude mais proativa de proteção ao meio ambiente. Por exemplo, o Kamalame Cay, na ilha de Andros, incentiva seus hóspedes a comerem peixe-leão (uma espécie invasora que preda peixes nativos e desequilibra o ecossistema local); já o hotel The Other Side é todo movido à energia solar.  

No Tiamo Resort, todos os produtos são cuidadosamente escolhidos para minimizar o risco de poluição e os painéis solares no teto esquentam a água. Para garantir apoio contínuo às comunidades locais, todos os funcionários desse resort são das Bahamas.

 

Pangulasian Island Resort, nas Filipinas. © jennagenio / Shutterstock

 

Ilha Pangulasian, Filipinas

A ilha Pangulasian, nas Filipinas, é um paraíso para quem busca um refúgio eco-friendly. Essa ilha particular ajuda a população local por meio de iniciativas econômicas, como ensinar às mulheres a arte de tecelagem tradicional, cujos produtos são comprados e revendidos pelo hotel.  

Há também um amplo programa de conservação ambiental que supervisiona a limpeza marítima duas vezes por mês, além de medidas de proteção contra a pesca ilegal,  instalação de Eco Recifes (para ajudar a renovar ecossistemas marinhos), uso de boias de ancoragem (para evitar danos causados por âncoras nos recifes de coral) e um programa de preservação de tartarugas marinhas. Junte-se aos esforços para protegê-las durante a primeira corrida delas, ainda recém-nascidas, para o oceano e aprofunde seus conhecimentos atendendo a palestras ministradas por especialistas sobre vida selvagem e proteção do meio-ambiente. Para manter esse ecossistema florescendo, os funcionários são encorajados a enviar propostas de iniciativas ecológicas, a fim de que sejam selecionadas e implantadas pelo resort.

 

Lago Weissensee, na Áustria. © Sergio Delle Vedove / Shutterstock

 

Werfenweng, Weissensee, Styria e Viena, Áustria

Werfenweng é uma linda cidade à beira de um lago que tem mudado a cara do turismo sustentável. Qualquer pessoa que chegue à estação de trem (os visitantes são encorajados a deixarem os carros em casa) tem à sua disposição um sistema de transfer gratuito e, por apenas 10 euros, pode comprar um passe SAMO, que lhe dá acesso a uma frota de veículos ecológicos, de carros elétricos a bugres e bicicletas.

A cidade Werfenweng não está sozinha nesse empenho. Em Weissensee, o Hotel Gralhof conta com um sistema de energia limpa por meio do aquecimento de lascas de madeira e possui uma cozinha totalmente orgânica; e o resort Ramsau, em Styria, comanda a iniciativa Ramsau Bioniere – uma seleção de hotéis, fazendas e pousadas que se comprometem na redução de lixo e no consumo de energia, além de usarem produtos orgânicos.

Viena é a prova de que se tornar uma capital verde não compromete a cultura local – em 2017, o Mercer Study elegeu-a o melhor lugar do mundo para se viver. Há dois mil parques na cidade, e o novo esquema de táxis eco-friendly colocou 370 veículos híbridos ou a gás nas ruas. Viena também possui mais cultivo orgânico do que qualquer outra cidade (mais de 800 hectares e três fazendas urbanas), 120 estações de compartilhamento de bicicletas e uma rede de ciclovias que cobrem 1300 km.

 

Visite as antigas minas de sal de Cardona e contemple a sua paisagem alienígena. © Maria Avvakumova / Shutterstock

 

Catalunha, Espanha

Catalunha é a primeira região a receber o certificado Biosphere Responsible Tourism, um projeto apoiado pela Unesco e pela GTSC (Global Sustainable Tourism Council), em reconhecimento à relação simbiótica entre homem e natureza local. E é fácil para os visitantes serem verdes por aqui: procure empresas com o selo EU Ecolabel, um certificado que evidencia produtos e serviços ecológicos e de alta-qualidade.  

Algumas das atrações mais impressionantes da região incluem visitar antigas minas de carvão, chumbo e sal – todas transformadas em áreas culturais e ambientais. Siga os passos fossilizados de dinossauros nas antigas minas de carvão a céu aberto de Fígols-Vallcebre Fumanya – hoje, um sítio paleontológico. Outro ótimo lugar para se conhecer é o Parque Cultural da Montanha de Sal de Cardona: após o fechamento da mina, em 1990, o parque passou a oferecer aos visitantes a chance de aprender sobre a geologia única da região.

 

O próximo projeto na agenda verde da Costa Rica: mudanças na produção de café. © Karla Ferro / Shutterstock

 

Costa Rica

A Costa Rica quer se tornar o primeiro país de carbono neutro do mundo e está no caminho para alcançar esse objetivo em 2021. Quase toda a eletricidade vem de fontes renováveis, e a ONU ficou tão impressionada com os esforços de preservação do meio ambiente, que fez de Luis Guillermo Solís, ex-presidente do país, um embaixador especial da Organização Mundial do Turismo.

Seu novo projeto é uma transformação ecológica da fonte de cafeína preferida do mundo – o café. Esse grão é o maior produto de exportação da Costa Rica, mas também a sua maior fonte de emissões de CO2. O Instituto do Café da Costa Rica uniu forças ao Ministério da Agricultura, a fim de desenvolver um projeto que captura o gás produzido na decomposição dos resíduos de café e o usa para alimentar motores de combustão.

Este artigo foi publicado em Junho de 2019 e foi atualizado em Junho de 2019.