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Como puxar assunto com os locais em suas viagens

Lonely Planet

Juntar coragem para começar uma conversa com um estranho já é difícil na melhor das hipóteses – mas acrescente aí uma barreira linguística e um ou dois abismos culturais e a tarefa pode parecer impossível.

Mas não seja tímido. Viajar é a melhor oportunidade para trabalhar suas habilidades sociais, então comece com calma, dê um sorriso e veja o que acontece – os resultados podem te surpreender. Não sabe o que dizer? Essas dicas específicas para certas cidades foram dadas pelos locais da Lonely Planet e vão te ajudar a sair falando.


Prefira interagir na vida real em vez do Instagram em Paris © Artem Tryhub / Shutterstock

Vá direto ao ponto em Paris

Esqueça os estereótipos: parisienses não são antipáticos, mas mal-entendidos podem acontecer por causa de diferenças culturais. A comunicação por aqui em geral dispensa preâmbulos e vai direto ao ponto, o que pode soar abrupto para ouvidos não francófonos. Embora os que não falam francês tenham poucos, ou nenhum, problemas, você consegue mais respeito usando (ainda que um mínimo) o francês. Sempre cumprimente e se despeça de todo mundo com quem você interagir, vendedores, por exemplo. Os parisienses não falam alto: module sua voz até uma tonalidade similar.

Os locais de Paris amam falar de comida, vinho, filosofia, arte e esporte, mas evite falar de dinheiro (por exemplo salários ou orçamentos). Os tours do Paris Greeters são guiados por voluntários e uma forma fantástica de entrar em contato com os locais.

Aprenda o dialeto: domine o básico para causar uma boa impressão ‘bonjour/bonsoir’ (‘bom dia/boa noite), ‘au revoir’ (‘tchau’), ‘parlez-vous anglais’? (‘você fala inglês?’), ‘merci’ (‘obrigada), ‘c'était délicieux!’ (‘Estava delicioso!’).

Catherine Le Nevez é uma experiente escritora da Lonely Planet que mora em Paris.


Faça amizade com os britânicos enquanto dividem um pint, ou em um evento oficial © DisobeyArt / Shutterstock

Domine a arte do chinwagging em Londres

Os londrinos não são famosos pela eloquência com estranhos e normalmente preferem alguma apresentação antes de uma “natter” (gíria local para “conversa”). Evite puxar conversas casuais no metrô ou nos ônibus, especialmente durante a hora do rush: é a regra geral que esses ambientes devem ser suportados em silêncio, não aproveitados animadamente.

A melhor forma de conhecer londrinos que querem ser conhecidos é em eventos organizados em volta de interesses comuns, como comida. Apps como o eatwith podem te arranjar jantares sociáveis organizados por locais em lugares únicos de Londres, o que cria uma oportunidade perfeita para interações mais profundas e novos amigos.

Aprenda o dialeto: ‘Cheers’. Não apenas para um brinde com os amigos no bar, cheers também é usado por quase todos os locais como uma maneira informal de agradecer.

Will Jones é um escritor e editor que mora em Londres. Você pode conhecer mais sobre o trabalho dele em WJcontent.com.


A comida te faz falar em Veneza © Yaraslau / Shutterstock

Pergunte antes de pedir em Veneza

Os venezianos se orgulham de conhecerem bem sua cidade labiríntica. Pedir informações é uma boa forma de começar uma conversa e você pode até mesmo acabar sendo escoltado por pelo menos parte do seu caminho. Muitos venezianos, em especial os mais jovens, tem um domínio razoável do inglês e gostam de conversar.

Alternativamente, vá a um bar. Os venezianos veem horrorizados o que encaram como crimes culinários, por exemplo um baccalà (bacalhau) sendo acompanhado de um cappuccino, então confessar ignorância e pedir dicas sobre as iguarias venezianos e vinhos para acompanhar é uma boa forma de começar um papo.

Aprenda o dialeto: ‘Mi scusi, potrebbe darmi un consiglio?’ (‘Por favor, pode me dar uma sugestão?”) colocará os venezianos em modo de ajuda, especialmente se for uma pergunta de natureza epicúrea.. Buona fortuna e buon appetito!

Jo-Ann Titmarsh é uma escritora de viagem freelancer especializada em conteúdo sobre Veneza. Siga-a no Twitter @jokamojo.


Fale de esportes enquanto toma um ‘steamie’ em Montréal © Benoit Daoust / Shutterstock

Fale Franglês em Montréal

Todo mundo em Montréal fala francês? Essa parece ser uma preocupação comum para aqueles que vem visitar uma das maiores cidades francófonas do mundo. A resposta rápida é que Montréal, especialmente no centro e nos bairros turísticos, é bastante bilíngue e os visitantes não verão problemas em se virar em inglês.

A melhor forma de compreender e aproveitar essa cidade única e híbrida é abraçar seu misto de culturas. Puxe assunto perguntando sobre o amado time de hockey Canadiens. Visite alguma lanchonete gordurenta para experimentar a cultura Québécois em sua versão mais relaxada (enquanto prova um poutine ou um cachorro-quente “steamie”).

Aprenda o dialeto: Montréalers estão acostumados a falar franglês (uma mistura casual de inglês e francês), então use qualquer coisa que você souber de francês. Até mesmo um simples ‘bonjour’ ou ‘merci’ podem ser bem úteis.

O local da Lonely Planet Jason Najum é um escritor e viajante com base em Montréal. Siga-o no Twitter @jasonnajum.


Uma bebida, ou duas, irá estimular sua confiança em Tóquio © aon168 / Shutterstock

Conecte-se com comidas e bebidas em Tóquio

A noção de que os nativos de Tóquio são frios é em geral verdadeira: nos espaços públicos as pessoas preferem ficar quietas (o que é notado no silêncio um pouco assustador dos trens da cidade). Afinal, é uma cidade lotada e cheia de tensão. Mas em algum lugar eles tem que se soltar, certo?

Um izakaya – o equivalente japonês de um pub– é onde os locais vão para relaxar e eles podem ser tão barulhentos quanto os trens de metrô são silenciosos. A maior parte dos izakayas possuem dois tipos de lugar para você se sentar: mesas para grupos privados e um balcão onde socializar é a regra.  

Aprenda o dialeto: Se tem algo que une os habitantes de Tóquio é seu amor por comida. Solte um 'oishii desu!' (Isso é delicioso!') para o chef do outro lado do balcão, ou o cliente ao seu lado, e veja os sorrisos surgirem.

A Local da Lonely Planet Rebecca Milner vive em Tóquio há muito tempo. Siga-a no Twitter @tokyorebecca.


Barganhe com confiança em Marrakesh © cornfield / Shutterstock

Participe de um encontro com chá de menta em Marrakesh

Barganhar nos souqs (mercados) de Marrakesh, frequentemente com o acompanhamento de uma xícara fumegante de chá de menta, não é só para os turistas: os locais também são consumidores leais. Comece oferecendo 40% do preço inicial do vendedor (mas lembre-se que lojas fora do circuito turístico tendem a oferecer bons preços de cara).

Lembre-se que aquilo pelo que você está barganhando no final vale o que representar para você. Vá com uma atitude positiva, se divirta e experimente algumas palavras em árabe. Mas no fim não tenha medo de ir embora, agradecendo educadamente os vendedores pelo tempo deles.

Aprenda o dialeto: ‘Salam alykhum’ (olá), ‘b’chal hadi?’ (Quanto custa isso?), ‘ghali bizef’ (É caro), ‘la chakrun’ (não, obrigada), ‘wakha’ (Ok, sim).

Mandy Sinclair raramente sai dos souqs de mãos vazias: tecidos, cestas e bolsas vão parar na casa dela, mas só se o preço for bom. Siga-a no Instagram em @MandyinMorocco.


Melbourne está cheia de cafés e bares descolados © Shuang Li / Shutterstock

Deixe que a cafeína alimente a conversa em Melbourne

Os melbournianos são uma espécie desencanada. Diga que prefere Sydney e vamos ficar na defensiva, mas pergunte sobre comida, bebida ou ‘footy’ e ficaremos do seu lado. Comece pedindo um café (“puro” ou “com leite” não é o suficiente aqui) para um barista local. Custa uns $4,50, mas as recomendações são de graça.

Acorde cedo e ache o mercado mais próximo, lá você pode conversar com locais e vendedores, ou fique acordado até tarde nos clássicos da cidade – como o Heartbreaker ou Butcher’s Diner – para fazer amigos em torno de drinques na garrafa e refeições à meia noite. Só não questione aqueles que querem ficar até o brunch.

Aprenda o dialeto: Você fala café? Para soar local peça um ristretto (um espresso curto – 20ml a 25ml – que privilegia qualidade a quantidade) ou um flat white (um latte com menos espuma), mas nunca um cappuccino (com frequência escolhido pelos que preferem chá, ou os turistas). Pergunte ao seu barista sobre coado, sifão, prensa francesa, AeroPress, Chemex... e mais.

Sofia Levin é uma jornalista que escreve sobre comidas e viagem e vive em Melbourne, Austrália. Siga-a no Twitter @sofiaklevin.


Converse com um cutting de chai – a famosa medida de chá de Mumbai © Filipe Frazao / Shutterstock

Converse com chai em Mumbai

A maior cidade da Índia te oferece de tudo, de lugares históricos a espaços verdes bucólicos, enclaves artísticos e uma vida noturna eclética. Mas uma fonte comum de ansiedade dos que viajam para Mumbai é como se conectar com os locais e fazer amigos.

Embora a maioria dos mumbaikars falem um bom inglês, o cumprimento universal namastê (oi em hindi) é uma boa forma de quebrar o gelo. É sempre bom evitar conversas sobre a “maior favela do mundo” e se focar em como a cidade evoluiu com os anos, tudo isso acompanhado de meia xícara de chai e vada pav (dica: não chame de hambúrguer indiano!). Pedir dicas sobre excursões incomuns ou oferecer visitar a casa dos locais te dá pontos extras.

Aprenda o dialeto: Acrescente ‘phir milenge’ (‘iremos nos encontrar de novo”) ao se despedir no final de um primeiro encontro; nessa cidade de 20 milhões de habitantes, as pessoas apreciam o gesto.

Deepika Gumaste é uma blogueira e escritora com base em Mumbai. Siga-a no Twitter  @feetonthemap.


Estude arte e política para visitar o centro cultural da Rússia© Michael Vano / Shutterstock

Tenha discussões profundas em São Petersburgo

Cultos, bem-educados e talvez um pouquinho esnobes, os artistas e filósofos locais de São Petersburgo amam sua bela cidade. Pergunte aos locais sobre seus cantos secretos favoritos e descubra pequenos cafés, galerias desconhecidas e novos eventos culturais. Lembre-se, os russos não são famosos por serem muito sorridentes, mas não deixe isso te assustar.

Como regra, os jovens de São Petersburgo falam um inglês melhor, mas nem todo mundo é fluente. Falar sobre literatura, cinema, música e arte é sempre uma boa estratégia, mas política pode se mostrar um assunto inevitável, mesmo que você tente fugir dele. Você encontra opiniões extremas aqui, então estude seus fatos! E cuidado para nunca, nunca mesmo, elogiar Moscou na frente dos locais. Nada pode ser melhor em Moscou do que aqui, ok?

Aprenda o dialeto: ‘Izvenite pozhaluista, kak proiti v...?’ (‘Por favor, como chego em…?) Essa frase é ótima para começar conversas – os locais se orgulham de conhecer tudo da cidade. As vezes eles até te acompanham até seu destino, só para garantir.

Kira Tverskaya é uma escritora e tradutora que vive na Rússia. Siga-a no Twitter @Marjaviini.

Este artigo foi publicado em Abril de 2019 e foi atualizado em Abril de 2019.