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48 horas em Nagasaki: a ponderosa personalidade de uma cidade diversa

James Gabriel Martin

Não há como negar que a história intensa e turbulenta de Nagasaki a marcou para sempre como um destino particular. E embora viajar até lá dê aos visitantes uma oportunidade importante de aprender sobre as dificuldades anteriores da cidade, os viajantes de hoje também encontrarão um lugar vibrante e atraente, cheio de um charme diverso, energia moderna e que abraça o passado enquanto olha para o futuro.

Com tanto a oferecer, veja aqui como aproveitar ao máximo dois dias em um dos destinos mais dinâmicos do Japão.


Nagasaki é uma cidade dinâmica, com memórias de um passado doloroso além de um presente diverso e vibrante © tomophotography / Getty images

Dia um: Manhã

Comece bem sua aventura com bolinhos de porco deliciosamente macios na unidade de Shianbashi da Butamon Momotaro, uma instituição familiar de Nagasaki que abriu sua primeira loja em 1960 e agora possui cinco populares filiais espalhadas pela cidade.

Dali, você pode pegar um bonde na direção de Matsuyama-Machi e usar o tempo para relaxar e aproveitar a vista da cidade enquanto vai para o Museu da Bomba Atômica de Nagasaki, localizado logo ao lado da parada. Uma experiência essencial, o sombrio museu oferece um relato duro e poderoso da destruição que atingiu a cidade no dia 9 de agosto de 1945, quando a bomba caiu, além dos momentos posteriores.


O Museu da Bomba Atômica de Nagasaki é uma lembrança dura do último local, até hoje, em que uma bomba atômica foi usada em combate © Michael Runkel / robertharding / Getty Images

A exposição inclui artefatos e relíquias da época, como balas retorcidas, cascalho partido, fotografias, móveis e cerâmica encontrados nas ruínas, além de um relógio que parou as 11h02, o momento exato do bombardeio. Vídeos mostram relatos comoventes de sobreviventes, enquanto exposições educativas oferecem informação a respeito do panorama nuclear atual.

Ao lado do museu fica o Salão do Memorial Nacional da Paz de Nagasaki para as Vítimas da Bomba Atômica, que consiste em um segundo andar onde há uma pia esculpida e dois andares subterrâneos, um deles com 12 pilares de vidro com prateleiras de livros onde constam os nomes dos mortos. Os visitantes são incentivados a deixarem mensagens de paz, que são guardadas pela organização.

Depois disso, uma pequena caminhada te leva ao Sakanaya, um restaurante que se especializa em kaisen-don (tigelas de arroz acompanhadas de sashimi incrivelmente fresco) e oferece menus de almoço deliciosos e interessantes que incluem cortes de hamachi e boniti, além de karaage (suculento frango frito japonês).


A Estátua da Paz de Nagasaki Peace em Heiwa-koen (Parque da Paz) pesa 10 toneladas © Richard Cummins / Getty Images

Dia Um: Tarde

Estique as pernas e gaste o almoço com uma caminhada pelo parque da Paz para ver as impressionantes 10 toneladas de bronze da Estátua da Paz de Nagasaki, desenhada em 1955 por Kitamura Seibō. Um lugar sereno, especialmente em um dia de sol, o parque também inclui a Fonte da Paz em forma de pomba, além de um jardim de esculturas.

Para completar a experiência, e a apenas cinco minutos de caminhada, fica o Parque do Hipocentro da Bomba Atômica de Nagasaki. Aqui, uma única coluna de pedra negra marca o ponto exato no qual a bomba explodiu, uma experiência realmente assustadora e inesquecível.  

Se você ainda estiver a fim de contemplar, cruze o rio para Fuchi-jinja, um altar Shinto em Inasa-yama, a impressionante montanha de 333 metros que fica a oeste do porto de Nagasaki.


A vista de Nagasaki do mirante de Inasa-yama é impressionante © Putt Sakdhnagool / Getty Images

Dia Um: Noite

Enquanto o dia dá lugar à noite, pegar o famoso teleférico para o topo do Inasa-yama é a melhor forma de ter uma visão real da cidade. Desse espetacular ponto de vista, você tem uma vista quase panorâmica de Nagasaki, com as luzes da cidade sendo cortadas pelas águas reluzentes do porto.

Depois de ter ido tão alto, uma visita a Onsen Fukunoyu (localizado na montanha) vale a pena e é a maneira perfeita de relaxar antes de voltar pra cidade. Aqui, os visitantes podem experimentar os clássicos banhos, além do spa de pedra quente ganbanyoku.

Após descer a montanha, termine sua noite pegando um táxi até Shippoku Hamakatsu para provar shippoku-ryōri, o impressionante jantar estilo banquete de Nagasaki, em que vários pratos são servidos em volta de uma grande mesa redonda.


Para chegar à “ilha fantasma” de Hasima, você precisa se juntar a um tour organizado © James Gabriel Martin / Lonely Planet

Dia Dois: Manhã

Aproximadamente 20 km fora da costa de Nagasaki fica a ilha Hashima (também conhecida como Ilha do Navio de Guerra ou Gunkanjima, devido a sua forma peculiar, lembrando um navio de guerra), um antigo posto para mineração de carvão em alto mar que um dia abrigou milhares de trabalhadores, além de prisioneiros de guerra que foram mandados para lá como trabalhadores em um ato controverso.

Em operação desde 1890, Hashima foi eventualmente abandonada em 1974, quando as reservas de carvão terminaram. Hoje a ilha é uma assustadora cidade fantasma, com vários prédios desgastados, vítimas do tempo e do mar.

De abril a outubro, dois cruzeiros para a ilha são oferecidos pela Gunkanjima Concierge, um de manhã (encontro às 9h40) e outro de tarde (encontro 12h40), saindo do terminal Tokiwa no porto de Nagasaki. Embora valha a visita, é essencial se planejar com antecedência e é recomendável reservar pelo site da companhia.

Antes de sair, se abasteça para a jornada no Hotel Belleview, com um bom buffet de café da manhã cheio de ingredientes locais. Pratos japoneses incluem rolinhos primavera e porco katsu e itens ocidentais também estão disponíveis. Leve protetor solar e água e vá ao banheiro antes de sair do terminal da balsa para explorar Gunkanjima.

Embora muito da ilha esteja caindo aos pedaços e não seja seguro, tours guiados seguem por um caminho reformado e oferecem aos participantes vistas incríveis da arquitetura em ruínas, enquanto audioguias fornecem informação.


Visitantes vêm de longe para comer na Chinatown de Nagasaki e comprar artesanatos e bugigangas chineses © Bruce Yuanyue Bi / Getty Images

Dia Dois: Tarde

De volta ao terminal, você definitivamente estará com fome. A cinco minutos de caminhada fica a Chinatown mais antiga do Japão, com diversos restaurantes e barraquinhas de comida descendo a rua. Pare em Kairaku-en para experimentar sua suntuosa cozinha, incluindo champon, um famoso prato de macarrão de Nagasaki com porco, lula e vegetais em um caldo leitoso e salgado, além da barriga de porco assada servida com pãezinhos feitos no vapor.

Se ainda houver lugar pra sobremesa, pare no Fukusaya para provar o amarelo vibrante bolo castella antes de seguir na direção de Oranda-Zaka (ladeira dos holandeses) para observar a arquitetura lindamente restaurada que oferece uma visão do mais remoto interesse do Japão no mundo ocidental. Siga para o Glover Garden e pegue as esteiras rolantes para o topo da colina, em seguida desça a pé.

Pare no prédio Mitsubishi No 2 Dock, que possui uma vista fantástica do porto, enquanto as históricas casas Walker, Ringer, Alt e Glover também vale a visita. Saia do jardim pelo Nagasaki Traditional Performing Arts Museum e observe os dragões e barcos usados no colorido festival Kunchi Matsuri de Nagasaki.

Dali, comece a voltar para o porto, com uma parada em Dejima, a ilha artificial em formato de hélice que foi construída em 1640 como o único posto de comércio para estrangeiros depois que o shogunato de Tokugawa tornou o Japão um país fechado. Um pedaço fascinante da história, aqui dezessete prédios e estruturas foram reconstruídos e compõem o Dejima Museum.


Meganebashi ou Ponte Megani, sobre o rio Nakashima foi construída em Nagasaki em 1634 © Tanatat pongphibool / Getty Images

Dia Dois: Noite

Traga uma cadeira para fora para relaxar com uma cerveja no Delicious Restaurant Attic no Dejima Wharf, ou escolha um refresco na forma de um café especial, que vem com um intrincado retrato de alguma figura histórica famosa feito com leite espumado.

Para o jantar, prove o Mugal Mahal ali perto, uma joia escondida que parece pouco promissora, mas serve incrível comida Indiana. Os menus vêm com saborosos curries aromáticos, saladas refrescantes, arroz pilau fumegante, um suculento frango assado e naan recém-saído do forno.

Depois do jantar, é uma caminhada de cinco minutos até o Bar IWI, um aconchegante bar local que serve drinques a ¥500 e fica aberto até 3 da manhã, um bom templo para socializar com a clientela amigável, composta de turistas e locais.

Este artigo foi publicado em Dezembro de 2018 e foi atualizado em Dezembro de 2018.