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Os incríveis jardins e projetos paisagísticos da Coreia do Sul

Japão

Há mais de 2000 anos os coreanos têm transformado a paisagem ao redor deles em contornos e vistas mais agradáveis. Os arranjos de rochas são elementos cruciais no paisagismo local, pois conferem um ar mais natural que os estilos igualmente admiráveis dos jardins chineses e japoneses.

Os jardins coreanos enfatizam tanto a caminhada por entre paisagens criadas pelo homem quanto a paisagem natural do local.

Em maio de 2017, Seul revelou o “jardim celestial” chamado de “Seoullo 7017”. Projetado ao longo de uma estrada desativada, esse novo parque incorpora uma reviravolta contemporânea no projeto horticultor coreano que data de séculos. Está também entre os muitos jardins e parques incríveis e diversos ao redor da Coreia do Sul, que realçam as habilidades botânicas de um país mais conhecido por sua tecnologia e pelo kimchi.

 

Jardim celestial

Embora não seja exatamente naturalista, o conceito de passear pela paisagem é o alicerce do Seoullo 7017. Construída nos anos 1970 como uma estrada para carros, após 17 anos foi transformada em uma estrada para pedestres, com 17 vias de entrada (esses números também explicam o nome do parque).

A empresa holandesa MVRDV projetou esse jardim celestial espalhando por todos os cantos  canteiros circulares contendo mais de 23.000 árvores, arbustos e flores exuberantes que possuem cores contrastantes e arranjos de acordo com o alfabeto coreano. As amplas bordas dos canteiros de concreto também são planejadas para servi de assento. Pavilhões circulares abrigam cafés, um quiosque de informações, plataformas panorâmicas, um espaço para apresentações e até um teatro de fantoches. Enquanto se caminha pelo parque elevado de 983m de comprimento, é possível vislumbrar o contraste abrupto dos símbolos da arquitetura urbana por entre as árvores, inclusive a Estação Seul, que exibe largos trilhos dispostos lado a lado; Sungnyemun – o Grande Portão Sul, na antiga muralha defensiva de Seul — e o labirinto comercial tumultuado que é o Mercado Namdaemun, em funcionamento 24 horas todos os dias.

 

Os jardins secretos de Seul

Incrustado no centro da cidade, o Seoullo 7017 simboliza uma forte declaração pública a respeito da importância da natureza no ambiente urbano. Mas esse foco na paisagem não é nada novo para Seul. Há cerca de 600 anos, na ocasião da fundação da cidade, foi a dinastia Joseon, e não os prefeitos metropolitanos, que patrocinou os paisagistas na criação de novos jardins. Uma criação importantíssima daquele período imperial é o Huwon, uma clareira rústica e serena abrigada atrás do palácio Changdeokgung, declarado como Patrimônio da Humanidade. O jardim, concentrado ao redor de um lago de ninfeias que pode ser avistado por um mirante no qual reis e membros da corte escreviam e recitavam poesias, é também conhecido como Biwon, que significa “jardim secreto”. Para conhecê-lo, é preciso fazer uma visita guiada (são realizadas duas ou três visitas diárias, restritas a 50 pessoas).

O Huwon não é o único oásis oculto da Coreia. A uma viagem de  metrô de 20 minutos ao norte de Seul, no município de Uijeongbu, o Secret Garden (ou S Garden) é um terraço a céu aberto escondido no nono andar da loja de departamento Shinsegae. Projetado por uma empresa de Seattle chamada Olson Kundig, esse jardim charmoso e familiar é ornamentado com vegetação nativa e cheia de sotdae, tradicionais esculturas de pássaros em madeira. Outros elementos caprichosos do lugar são as esculturas de animais com madeira e peças de metal reciclado feitas pelo artista Do-Ho Sug, além de um pequeno parquinho em que as crianças podem escavar fósseis de mentira e de uma casa na árvore no formato de um gigante ninho de pássaro.

 

Jardim da Calma Manhã

Seul possui vários outros excelentes parques e jardins, incluindo os de outros palácios reais, como os de Gyeongbokgung e Deoksugung, e obras modernas, como o premiado Seonyudo Park, criado a partir de uma antiga estação de tratamento de água numa ilha do rio Han.

Porém, os amantes de jardins serão tremendamente recompensados se forem para além dos limites da capital, em busca de outros belíssimos exemplos de projetos de horticultura local. A Coreia é quase sempre chamada de “Terra da Calma Manhã”, uma frase que alguns atribuem ao poeta indiano Tagore, que escreveu sobre o lugar (na época, colônia do Japão) nos anos 1930. Esse conceito foi a inspiração para o projeto de 30.000 m2 conhecido como Jardim da Calma Manhã, localizado mais ou menos 50 km a nordeste de Seul. Projetado pelo professor Sang-kyung Hang e inaugurado em 1996, esse é o jardim privado mais antigo da Coreia. Cercado por montanhas cobertas de pinheiros, ele possui vinte diferentes áreas temáticas ocupadas por cerca de 5.000 diferentes plantas, muitas delas originárias da região. Em cada estação há algo diferente na vista, desde rosas, íris e hortênsias no verão, até crisântemos e o espetáculo de cores das folhas resplandecentes no outono. Até mesmo no inverno o jardim impressiona com seu Festival das Luzes, quando se enfeitam os arbustos e árvores com luzes multicoloridas.

 

Ilha Namiseom

Cerca de 20km a nordeste depois do Jardim da Calma Manhã fica Gapyeong (onde se pode chegar em menos de uma hora por linhas de metrô que saem de Seul). O lugar é o ponto de partida para as paisagens feitas pelo homem nas proximidades da Ilha Namiseom. Tornou-se famosa no mundo todo por causa de uma série da TV sul-coreana de 2002 chamada Winter Sonata, na qual apareciam sempre suas paisagens arborizadas. A ilha em forma de lua crescente foi comprada por Minn Byeong-do, antigo dirigente do Banco da Coreia, em 1965. Durante sua administração, a ilha foi transformada em parque e muitas árvores foram plantadas lá, inclusive uma avenida de majestosas metasequoias. Em outras seções de Namiseom foram plantadas árvores de ginkgo, com suas folhas amareladas, e cerejeiras, cujas flores rosas e brancas desabrocham na primavera. A ilha, que se autodenomina a culturalmente independente República de Naminara e tem seu próprio visto (mais conhecido como ingresso de acesso ao parque), também possui 20 jardins diferentes, inclusive um projetado para atrair borboletas.

 

Jardins de Jeju-do

Acessível do continente por meio de voos e balsas fica a cidade subtropical de Jeju-do, o destino mais procurado dos sul-coreanos nos períodos de descanso. Com seu clima úmido e solos vulcânicos riquíssimos, a ilha proporciona uma chance para que paisagistas trabalhem com diferentes tipos de plantas. Projetado a partir do zero  e durante mais de 30 anos por um fazendeiro local muito determinado, o Jardim Espiritual de Jeju exibe uma coleção de centenas de bonsais, ou bunjae, como eles são chamados em coreano. As amáveis árvores em miniatura são cercadas por um jardim com lagos cheios de carpas coloridas, cachoeiras e pedras vulcânicas negras, marca registrada de Jeju.

A cultura e geologias ancestrais da ilha também inspiraram o Parque de Pedra de Jeju. Estendendo-se por cerca de 970.000 km2, o parque evidencia que elementos mais brutos de decoração — como lagos, túmulos, rochas e estátuas — são tão cruciais na criação de um jardim quanto as folhagens. Siga as trilhas do parque e descubra o meditativo Lago Celestial, as rochas naturalmente no formato de rostos com entalhes baseados nas 18.000 deidades de Jeju, um campo de panelas gigantes para armazenar kimchi e um exército de dol hareubang (rochas dos avôs), estátuas fálicas de pedra que os habitantes acreditam que servem de proteção contra forças malignas e que estimulam a fertilidade.

Este artigo foi publicado em Janeiro de 2018 e foi atualizado em Janeiro de 2018.