Dicas e artigos

Le Havre, a cidade ícone da arquitetura na França

Oscar Niemeyer marcou a paisagem francesa com obras emblemáticas

O porto de Le Havre na Normandia, onde o Rio Sena se joga no Canal da Mancha, já foi uma cidade de grandes alamedas e impressionantes catedrais, mas, infelizmente, grande parte da sua arquitetura original foi destruída pelas bombas da Segunda Guerra Mundial.

Lentamente reconstruída no marcante estilo arquitetônico do modernismo, a cidade, de 500 anos de história, logo se levantou das cinzas para se tornar um dos designs urbanos mais extraordinários do século 20 na França.

Depois da conclusão, a arquitetura de vanguarda da agora irreconhecível cidade portuária recebeu, no início, avaliações bem diferentes. Porém, assim como um bom Bordeaux francês, as qualidades excepcionais de Le Havre demoraram alguns anos para aparecerem; na forma de seus designs ousados que adotaram uma nova forma de urbanismo.

A Unesco, que fez de Le Havre um Patrimônio Mundial em 2005, ajudou a abrir caminho, e a cidade desde então reivindicou seu lugar de destaque, atraindo fãs de arquitetura de todo o mundo. Embora Le Havre não tenha o clima medieval encontrado em outras partes da Normandia, não há cidade como ela em nenhuma outra parte da França. Aqui vão algumas sugestões para turistas de primeira viagem aproveitarem Le Havre ao máximo.

Passeei pelas melhores atrações arquitetônicas de Le Havre

Uma das melhores formas de absorver a arquitetura de Le Havre é uma caminhada pelo centro da cidade. A luz é melhor no começo da manhã e por volta do entardecer, quando as construções têm um leve brilho rosado. Não é um mero truque da imaginação, os moradores costumavam usar tijolos vermelhos dos prédios destruídos nas novas construções, o que ajudou a solidificar um elo com o passado.

Em um dia explorando a cidade, você pode ver as grandes praças, os quarteirões de simetria artística e os designs inteligentes que evocam algo muito além de pedra e concreto. Mesmo as fortalezas sem uso no topo de morros, a um passeio de 1km do centro da cidade, foram convertidas nos Jardins Suspendus, um tranquilo oásis de jardins cheios de flores e folhagem.

Absorva o coração da cidade

Jardins Suspendus © V. Joannon / Conselho Regional de Turismo da Normandia

Espalhada por 12 acres, a Praça da Prefeitura (Place de l’Hotel de Ville) é o grande foco do centro e uma das maiores praças da Europa. Essa ampla praça também é a introdução adequada a Le Havre. Foi projetada por Auguste Perret, o gênio por trás de muito do design pós-guerra da cidade.

Jardins, fontes e esculturas ficam no centro desse espaço bem iluminado, contornado por impressionantes prédios modernos que criam uma notável sensação de harmonia. A pièce de résistance é a prefeitura, uma sólida torre de 72m de altura que é visível do mar e é considerada um dos ícones da cidade nos dias de hoje.

Viva uma erupção cultural no Vulcão

A Place de l'Hôtel de Ville © Regis St. Louis / Lonely Planet

Antes conhecido como Centro Cultural Niemeyer, esse edifício mais parece uma escultura foi uma das atrações mais surpreendentes ao ser revelado, em 1982. Erguendo-se de uma pequena praça logo depois da Rue de Paris, sua base volumosa e suas curvas sinuosas, que formam um cilindro em direção ao céu, logo ganhou o nome de Le Volcan (O Vulcão).

Oscar Niemeyer, o arquiteto visionário que projetou Brasília e um dos avós do modernismo, criou essa obra incomum; um dos seus poucos projetos fora do Brasil. Em um lado do prédio, uma mão gigantesca se estica, com uma fonte correndo embaixo. É um molde da própria mão de Oscar Niemeyer, um marcante registro pessoal do envolvimento do arquiteto com a obra.

Hoje, Le Volcan (o nome foi mudado oficialmente em 1990) abriga um teatro e uma biblioteca pública. A fachada branca iluminada, com suas linhas cativantes, está melhor do que nunca depois de uma reforma concluída em 2015.

Um retrato da vida nos anos 1950

Escultura da mão de Oscar Niemeyer sobe do centro cultural de Le Volcan © E. Tessier / Conselho Regional de Turismo de Normandia

Volte ao passado visitando o Appartement Témoin Perret (apartamento testemunha Perret). Esse apartamento totalmente mobiliado dá um gostinho da vida familiar durante os anos de crescimento pós-guerra. Todas as peças vieram dos anos 1950, do fogão a gás na cozinha à vitrola na sala de estar.

Há roupas nos armários e a mesa está posta, a única coisa que falta é a família; embora os guias façam um bom trabalho dando vida a esses personagens ausentes. No geral, é um retrato íntimo de Le Havre e um bom contraponto para a arquitetura mais abstrata do lado de fora daquelas janelas inundadas de sol.

Visite o símbolo espiritual de Le Havre

A Igreja de St-Joseph de Auguste Perret © E. Tessier / Conselho Regional de Turismo da Normandia

Se há um prédio que você não pode perder em Le Havre, é a Église de St-Joseph (Igreja de São José). A fachada monumental, com sua torre de 107m de altura, é visível de toda a cidade e brilha contra o escuro céu da noite. O interior fica fora de todos os padrões, com algumas estátuas de santos e outras iconografias católicas, um altar colocado no centro da construção e a torre da claraboia se erguendo para o céu.

É claro que o projeto poderia ter parecido extremamente sem graça se não fossem pelas maravilhosas janelas de vitrais contornando a torre. Elas são obra de Marguerite Huré, que usou cerca de 13 mil peças, todas criadas por meio de técnicas de sopro, como era feito na Idade Média. O uso fantástico das cores cria ambientes diferentes dependendo da hora do dia e da posição do sol.

É um lugar onde vale a pena passar um tempo e, de fato, há um forte clima de meditação no jogo de tons de vermelho, dourado e lilás pelas paredes sem adornos. A Igreja de São José foi a obra máxima de Auguste Perret e foi construída como memorial para os milhares de civis que faleceram durante os bombardeios em Le Havre.

Este artigo foi publicado em Junho de 2017 e foi atualizado em Junho de 2017.