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Rio além dos Jogos: aonde ir quando não houver competições a assistir

Pão de Açucar

Em uma cidade que consegue reunir como poucos todas as classes sociais, estilos, sons e sabores, a variedade de lugares a serem visitados não poderia ser pequena nem simplória. O Rio de Janeiro é bem maior do que qualquer guia de turismo pode listar. Pensando nisso, o Viajei Bonito reuniu uma relação com dez pontos que podem e merecem ser visitados durante os Jogos Olímpicos.

A lista é variada, com verdadeiras obras de artes feitas pela natureza e também pelo homem, algumas antigas e outras bem recentes, opções para o dia e para a noite. É possível chegar a boa parte dos pontos turísticos enumerados de ônibus, mas outros devem ser acessados de outras formas, como esta página detalha.

O clichê é verdadeiro: o Rio de Janeiro realmente recebe os turistas de braços abertos. A violência e os problemas relacionados ao transporte são quesitos importantes, mas a preocupação não precisa ser maior que a existente e necessária em outras grandes cidades do mundo.

1 - Cristo Redentor

O Cristo Redentor é, certamente, o ponto turístico mais conhecido do Rio de Janeiro e de todo o Brasil, e em 2007 foi incluído na lista das Novas Sete Maravilhas do Mundo, junto com a Grande Muralha da China e o Taj Mahal (Índia), por exemplo.

A ideia de construir um monumento católico no topo do morro do Corcovado surgiu ainda em meados do século XIX, mas foi colocada em prática apenas na década de 1920. Com um projeto concebido pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa com as colaborações do escultor francês Paul Landowski e do engenheiro francês Albert Caquot, o Cristo começou a ser construído em 1922 e ficou pronto em 1931.

Feito em concreto armado e pedra-sabão com 30 metros de altura, além dos oito metros da base, o monumento foi inaugurado em 12 de outubro de 1931, Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país. Desde então, passou por algumas restaurações, a última delas em 2014.

Além da beleza do monumento em si, visitar o Cristo é uma incrível experiência também devido à vista que o morro do Corcovado proporciona de boa parte do Rio de Janeiro. Até por isso, é recomendado escolher um dia de céu claro para o passeio. O Parque Nacional da Tijuca, onde a estátua está localizada, merece uma visita à parte.

Durante os Jogos Olímpicos, o preço dos ingressos será de alta temporada, devido ao evento esportivo e às férias escolares. As entradas são vendidas em alguns pontos da cidade (até mesmo nos mais inusitados, como as agências dos Correios credenciadas – ao todo são sete) e custam R$ 38 para adultos, mas há preços especiais para pessoas com 60 anos ou mais (R$ 7) e para quem tem entre 5 e 11 anos (R$ 14). Os menores de 4 não pagam.

Como a Estrada das Paineiras não é dos lugares mais acessíveis, há vans oficiais saindo da Praia de Copacabana e do Largo do Machado, a 15 minutos a pé do Palácio do Catete, o nosso item 5.

Outra opção é chegar até o bairro Cosme Velho e tomar um trem, uma forma de se sentir no Rio de outros anos. Para quem é mais aventureiro, há uma trilha que começa no Parque Lage, na rua Jardim Botânico.

2 - Pão de Açúcar

(Foto: Reprodução| Viajei bonito)

Rodeado pelas águas da Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar também é um dos cartões-postais mais conhecidos do Brasil. A parte mais alta do complexo, denominada morro do Pão de Açúcar, tem 396 metros de altura; a mais baixa, o Morro da Urca, 220 metros.

O local passou a ser mais explorado pelo turismo no começo do século passado, com a inauguração do teleférico, popularmente conhecido como Bondinho do Pão de Açúcar, ocorrida em 1912. Há uma linha ligando os dois morros e outra da Praia Vermelha até o Morro da Urca.

Além da vista exuberante do Rio de Janeiro e de Niterói, o Pão de Açúcar apresenta uma flora bastante peculiar, com diversas espécies de orquídeas e bromélias em uma parte e vegetações típicas da Mata Atlântica em outra.

O acesso através do bondinho começa às 8h10 e custa R$ 76, com meia entrada para estudantes e pessoas com até 21 anos. Crianças com até seis anos não pagam. O último teleférico para acessar o parque sai às 20h, e o local fecha uma hora depois.

Assim como no Cristo, é possível chegar ao Pão de Açúcar por trilha, mas também é necessário pôr a mão no bolso: R$ 20 para o primeiro trecho, e R$ 40 para o segundo.

A região também é bastante explorada por montanhistas. Levando em conta também o Morro da Babilônia, são quase 300 vias de escalada, com opções tanto para iniciantes quanto para escaladores mais experientes.

3 - Praia de Copacabana e Arpoador

(Foto: Reprodução | Viajei bonito)

Não seria exagero dizer que a Praia de Copacabana é a mais famosa do mundo. As belezas do mar gelado (e por muitas vezes agitado) e da paisagem ao redor já seriam suficientes para torná-la conhecida, mas a antes chamada pelo termo tupi Sacopenapã tem também charme e história.

Ainda no século XVIII, a região ganhou uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Copacabana, o que anos depois deu nome ao bairro. Até que em 1908 a pequena igreja foi demolida para a construção do Forte de Copacabana, seis anos depois. Foi lá que teve início o levante de 1922, conhecido como Revolta dos 18 do Forte.

Além desse fato marcante na história do Brasil, a praia recebeu e ainda recebe uma série de shows e eventos esportivos. É lembrada no mundo todo pela tradicional queima de fogos no Reveillón, e durante os Jogos Olímpicos será sede de competições de vôlei de praia, triatlo e maratona aquática.

A relevância da Praia de Copacabana é tamanha que até seu calçadão, com desenho em curvas que fazem alusão às ondas do mar, é uma marca registrada. Também é lembrada por conta do hotel Copacabana Palace, inaugurado nos anos 20 e outro dos símbolos da Cidade Maravilhosa.

Durante eventos como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, a praia costuma se tornar ponto de encontro de torcedores. Como a festa desta vez é "em casa", essa concentração e esse clima de animação deverão ser ainda maiores.

Depois de percorrer os cerca de 4km da orla de Copa, como é conhecida entre mais íntimos, você facilmente vai se deparar com algumas lojinhas e pouco depois com o Parque Garota de Ipanema, que dá acesso direto e sem erro à Pedra do Arpoador. Lá, é praticamente inevitável não fazer uma pausa para admirar a paisagem e acompanhar com os demais turistas e moradores o mágico pôr do sol.

4 - Palácio do Catete

(Foto: Reprodução | Viajei bonito)

A sede do poder executivo de 1897 até a inauguração de Brasília (atual capital do país), em 1960, se tornou um lugar com muita história para contar, e que, por sinal, são muito bem contadas no Museu da República, fundado nesse mesmo ano.

O Palácio do Catete, antes denominado Palácio Nova Friburgo, ficou pronto em 1867 e era de propriedade do fazendeiro de café Antônio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo. Foi adquirido pelo Governo Federal em 1896 para se tornar sede da Presidência.

No interior do Palácio, logo no térreo, há esculturas e luminárias do começo do último século, o Salão Ministerial e espaços para exposições. No segundo andar, chamado "piso nobre", é retratado todo o luxo da época, com uma série de salões, uma galeria com vitrais trazidos da Alemanha e uma capela com duas telas reproduzindo obras do renascentista italiano Raphael Sanzio e do artista barroco espanhol Bartolomé Murillo.

No terceiro, que era a parte mais reservada das famílias dos presidentes, o destaque é o "quarto de Getúlio", montado exatamente como em 24 de agosto de 1954, quando Vargas ali se matou.

Por toda a área interna, estão espalhados fotos, documentos, objetos e mobília dos dois últimos séculos, além de obras de diversos artistas brasileiros com as quais a corte era presenteada.

A área externa merece ser visitada com a mesma atenção da interna. Há uma varanda e um pátio interno, mas a parte mais encantadora é o jardim, um espaço com itens raros da flora nacional, gostoso para um café, uma leitura, um afago no parceiro ou mesmo para uma despretensiosa caminhada.

5 - Museu do Amanhã e Confeitaria Colombo

O Rio não é feito apenas de tradição, nem todos os seus pontos turísticos têm séculos de história. Inaugurado em dezembro de 2015, o Museu do Amanhã merece ser visto não pelo passado, mas pelo futuro.

A estrutura do museu em si, ancorada no Píer Mauá, já é futurista e é o principal símbolo da revitalização da Zona Portuária. O transporte até o local também: sai a Perimetal e chega o sistema VLT, uma das promessas da Prefeitura para os Jogos Olímpicos que saiu do papel.

O local convida o visitante a pensar o cosmos e o tamanho do universo através de viagens sensoriais; no funcionamento da Terra, com a relação entre as espécies e a influência do homem no planeta; e como será a vida daqui em diante, com preocupação com a preservação do meio-ambiente e dos recursos naturais. Tudo isso explorando bastante as novas tecnologias.

Nos primeiros meses de funcionamento, ir ao Museu do Amanhã exigia paciência de monge por conta das enormes filas, o que pode se repetir durante os Jogos Olímpicos. No entanto, é possível fugir das aglomerações e comprar ingresso antecipadamente pela internet a R$ 10. O espaço está aberto de terça a domingo, das 10h às 18h.

Para recarregar as energias, uma caminhada de pouco mais de 20 minutos leva o visitante a voltar ao passado na Confeitaria Colombo, com mais de 120 anos de tradição, no centro da cidade. O espaço tem toda a cara de começo do século XX, e o cardápio é repleto de delícias. Sanduíches, salgados, saladas, sucos, chás e doces. Muitos doces.

6 - Igreja da Penha

Quem chega ao Rio de Janeiro pela Linha Vermelha, pela Avenida Brasil ou pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim avista ao longe uma grande igreja no alto de uma colina. É a Igreja de Nossa Senhora da Penha, inaugurada em 1870 no bairro da Penha e ampliada três décadas depois.

Imponente pela localização destacada, o santuário é ainda mais bonito de perto e por dentro, com duas grandes torres, esculturas em mármore e bela azulejaria com mais de um século de história. Não tem um estilo arquitetônico exclusivo, e seus sinos podem ser ouvidos a quilômetros.

Apesar de histórica, a Igreja da Penha conta com estrutura moderna, banheiros, bebedouros e lanchonete. Do lado de fora, há um pátio com estacionamento para carros e ônibus de romeiros, que lotam o templo principalmente em outubro, o mês da padroeira. Há ainda uma concha acústica para eventos culturais com capacidade para 30 mil pessoas.

Além do santuário, chama a atenção de longe a escadaria que leva à igreja. São 382 degraus lapidados na própria pedra no começo do século XIX, quando ali ainda estava a antiga capela. A escadaria foi construída como gratidão a Nossa Senhora por um casal que não conseguia engravidar. Desde então, várias pessoas sobem os degraus a pé ou de joelhos, muitas vezes para pagar uma promessa.

Para quem prefere um pouco mais de conforto, é possível chegar à Igreja da Penha através de bondinhos, capazes de transportar cerca de 500 pessoas por hora, segundo dados da administração.

7 - Lapa e Cinelândia

(Foto: Reprodução Viajei bonito)

Vista desde sempre como berço da boemia do Rio de Janeiro, a Lapa é conhecida pela vida noturna agitada e bastante democrática. Ganhou status de bairro há pouco tempo, em 2012, como subdivisão do Centro e do Bairro de Fátima, mas muito antes disso já reunia uma série de bons bares, restaurantes e boates.

Carioca da Gema, Arco-Íris, Bar da Boa e Leviano estão entre as melhores opções da região para comer e beber. Quem quiser dançar e curtir todo tipo de show, desde atrações de samba e pagode, passando pela MPB até chegar ao rock e ao eletrônico, deve visitar a Fundição Progresso, o Rio Scenarium, o Lapa 40 Graus ou o Circo Voador.

Uma atração à parte são os Arcos da Lapa, erguidos inicialmente para distribuir água do Rio Carioca e que depois serviram de viaduto para os tradicionais bondinhos de Santa Teresa. São 42 arcos, com 18,5 metros de altura e 200 metros de extensão.

Perto da Lapa, bem no centro da cidade, está a Cinelândia, nome dado ao entorno da Praça Floriano. A área possui cinemas, bares, restaurantes e teatros, entre eles o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Além de um espaço cultural, é cenário também de debates políticos, já que é um dos pontos mais conhecidos de manifestações da cidade.

8 - Santa Teresa

Construído no alto de uma serra, o bairro de Santa Teresa é, ao mesmo tempo, muito perto e muito longe de outras áreas badaladas do Rio de Janeiro. Assim como a Lapa, guarda muitos aspectos do Rio Antigo, com edificações construídas há 200 anos.

Artistas, acadêmicos e intelectuais procuram Santa, como também é conhecido, para viver longe da agitação, além de poderem desfrutar de boa comida no polo gastronômico da região e da vista privilegiada para a Cidade Maravilhosa. Do Parque das Ruínas e da Chácara do Céu, é possível registrar imagens marcantes, seja em câmeras fotográficas, telefones celulares ou mesmo na memória.

Moradores e visitantes valorizam bastante o artesanato dos artistas locais, e com isso os ateliês também figuram na lista de cartões-postais do bairro, assim como o Convento de Santa Teresa e o Castelo Valentim.

É fácil chegar a Santa Teresa, mas, como o acesso é feito por ruas íngremes, poucos se atrevem a ir a pé. O transporte público para lá não é dos mais eficientes, então muita gente opta por subir (e descer) de táxi ou de Uber.

O transporte tradicional do bairro é o bondinho, mas a circulação foi interrompida por quatro anos para reformas. As obras terminarão em 2018, e, atualmente, poucas vias estão sendo usadas, tendo o Largo da Carioca como ponto de partida.

9 - Mercadão de Madureira e Parque Madureira

O Mercadão de Madureira é um dos maiores shoppings populares do Brasil, que começou com uma pequena feira livre em 1914 e hoje oferece quase tudo, de produtos agrícolas, passando por utensílios do lar, a roupas, acessórios e maquiagem.

O espaço foi crescendo ao longo das primeiras décadas do século passado até ser necessária a transferência para o ponto atual. Em 2000, um incêndio destruiu todas as instalações do Mercadão, o que exigiu que o local fosse reconstruído.

Após o reerguimento, o shopping se tornou mais moderno, com escadas rolantes, ar condicionado e instalações elétricas e hidráulicas mais novas, mas sem perder o charme característico da zona norte carioca.

Estima-se, de acordo com a administração, que cerca de 80 mil pessoas passem por lá todos os dias. O Mercadão fica aberto de segunda a sábado, das 7h às 19h, e também aos domingos e feriados, mas com horário reduzido, das 7h às 12h. O local costuma ter segurança, e não há muitos registros de problemas na área externa durante o dia, no entanto é aconselhável evitar as redondezas durante a noite.

Uma caminhada de pouco mais de dez minutos leva do Mercadão ao Parque Madureira, inaugurado há apenas quatro anos. O parque é um dos maiores e mais completos espaços de convívio ao ar livre da Cidade Maravilhosa.

Em 2.150 metros quadrados de extensão, há ciclovias, espaços para prática de futsal, basquete e tênis de mesa, arena para shows, aparelhos de ginástica e musculação e uma praia artificial. Há ainda a chamada Praça do Conhecimento, espaços com cursos e computadores com acesso à internet.

O parque funciona de terça a quinta, das 5h à 0h. Depois disso, as portas voltam a abrir às 5h de sexta-feira e se fecham apenas à 0h de domingo para segunda-feira.

Chegar até Madureira não é difícil, e o deslocamento a partir de outras regiões do Rio de Janeiro pode ser feito de ônibus e trem, além de haver linhas de integração com o metrô.   

10- Pedra da Gávea

(Foto: Reprodução| Viajei bonito)

A Pedra da Gávea é o maior bloco de pedra a beira-mar do mundo e também proporciona uma vista linda, indo das praias da zona sul até as da zona oeste, além das montanhas da Floresta da Tijuca no lado oposto ao oceano.

Porém, brindar os olhos com essa visão incrível não é tão fácil quanto nos pontos turísticos anteriores. Para atingir o topo, a quase 850 metros do nível do mar, é preciso desbravar uma das trilhas mais desafiadoras do Rio de Janeiro.

O trajeto tem cerca de 2,5km e normalmente é feito em até três horas. Algumas pessoas conseguem fazê-lo "seguindo o fluxo" e sem o auxílio de equipamentos, enquanto outros preferem contratar um guia e aparatos de segurança.

Quem escolhe ir sozinho precisa ter atenção aos pontos de referência espalhados pelo percurso e calcular com cuidado o tempo de permanência no topo, já que, ao anoitecer, torna-se bem mais fácil perder-se pela trilha.

A Pedra da Gávea guarda algumas lendas. Há quem acredite que o local é um portal para outras dimensões e espaço para pouso de discos voadores. Além disso, a lateral da pedra tem o formato de um rosto, que seria de um líder fenício, povo que também teria esculpido inscrições na rocha. A explicação mais plausível, no entanto, é a de que os desenhos são decorrentes da erosão.

Artigo escrito por Douglas Rocha do blog Viajei bonito

Este artigo foi publicado em Agosto de 2016 e foi atualizado em Agosto de 2016.