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Dordogne: conheça uma das melhores regiões francesas para se comer bem

Dordogne

Alexis Averbuck

Além de castelos magníficos, da arte rupestre encontrada em suas cavernas pré-histórias e de paisagens exuberantes, a Dordogne é famosa por sua tradição culinária. As iguarias dessa região gastronômica variam de trufas e nozes a vinhos finos e hortifrúti. Se você gosta de olhar, ouvir e sentir o aroma de um mercado de rua francês, a Dordogne será o seu paraíso.

Mergulhe nos mercados

Os produtores locais montam as suas barracas nas praças de paralelepípedo e alamedas da Dordogne (também conhecida como Périgord), vendendo iguarias como cogumelos cépe, castanhas portuguesas, terrinas de pato, foie gras e confit, além de nozes e truffes noires (trufas negras). Garimpe nas pilhas de queijos fortes, entre os potes de mel cremoso e os montes de alimentos da safra, de aspargos a morangos.

Nas noites de verão, os mercados também são fantásticos: leve os seus pratos e talheres e jante sob a luz das estrelas.

A cidadezinha de Sarlat-la-Canéda tem um mercado de sábado famoso (e, por isso, turístico) e um mercado noturno às noites de terça-feira de verão. Cada vilarejo também tem o seu dia de feira, e algumas delas enchem as ruelas medievais de povoados fascinantes, como Issigeac (aos domingos), ou são montadas em forma de mercados cobertos nas bastides (vilarejos fortificados) repletas de história, como em Monpazier (quinta-feira) e Beaumont-du-Périgord (às noites de segunda-feira no verão).

Jante nos melhores restaurantes da região

Toda a produção maravilhosa disponível na Dordogne pede preparações igualmente fabulosas, então não é à toa que a região reúne restaurantes excelentes. Entre as ofertas, há redutos de delícias estrelados pelo Michelin, como o Le Vieux Logis, onde o chef Vincent Arnould é o artesão da culinária refinada de Périgord. Ou mergulhe fundo nas encostas atrás de Trémolat para encontrar Les Truffieres, uma quinta na qual Yanick e o filho dele, Aurélian, usam alimentos frescos da fazenda para preparar pratos substanciosos, como uma aromática sopa de alho.

Entre as outras grandes mesas escondidas nos pequeninos vilaregos, entre as quais a do Le Petit Paris em Daglan, com a sua culinária sazonal superfresca, e a de Le Saint Martial, em St-Martial-de-Nabirat, que serve pratos de precisão assinados por Valérie e Jean-Marc Réal. O Villa Laetitia, na “metrópole” regional da Bergerac, serve diariamente pratos especiais, todos clássicos de Périgord, tudo em um ambiente de pedras claras. Você pode, ainda, se esbaldar com ingredientes luxuosos (trufas, lagosta, vieiras de St. Jacques) no Le Grand Bleu, em Sarlat-la-Canéda; e ainda tem L’Essentiel in Périgueux, no qual o chef Eric Vidal inventa pratos a partir das carnes locais de cordeiro, porco e pato.

Deguste os vinhos locais

(Foto: Getty Images/ Lonely Planet)

Como não é tão famosa como Bordeaux e St. Émilion, a área ao redor de Bergerac é economicamente acessível, mas também uma parada obrigatória para os amantes do vinho. Os vinhedos forram a zona rural da cidade, produzindo tintos encorpados, brancos aromáticos e rosés frutados – e, com 13 Denominações de Origem (ou AOC, Appéllations d’Origines Contrôlées) e mais de 1200 produtores, o que não faltam são escolhas. A Maison des Vins da cidade é um ótimo lugar para se informar e começar a degustação: pegue mapas das rotas do vinho e organize visitas às vinícolas. Entre os muitos vinhedos de Bergerac abertos ao público, está o prestigioso Château de Tiregand (chateau-de-tiregand.com), conhecido pelos seus vinhos Pécharmant. O Monbazillac é um vinho doce local, perfeito para ser acompanhado por patês e queijos da Dordogne. Deguste-o no grandioso Château de Monbazillac ou no Château Montdoyen, administrado por uma família, que também fabrica excelentes vinhos brancos.

Para armazenar uma variedade de safras, siga para Julien de Savignac, um dos maiores fornecedores da região. A sua loja-sede, em Le Bugue, oferece uma miríade de garrafas de tirar o fôlego, variando entre vinhos baratos, vendidos a granel (leve a sua jarra) a safras raras vendidas por milhares de euros. Também não deixe de procurar, durante a viagem, pela eau de noix (licor de nozes). Pode-se encontrar em lojas também, como a Distillerie du Périgord, em Sarlat.

Cace trufas

Embora a Dordogne seja famosa por todas as suas iguarias alimentares, para alguns especialistas em culinária, há só uma que realmente importa: a trufa negra de Périgord (Tuber melanosporum), apelidadas com frequência como le diamant noir (o diamante negro) ou la perle noire du Périgord (a pérola negra de Périgord). O auge da estação das trufas se dá entre dezembro e fevereiro, quando você as encontra nos cardápios locais e em mercados especiais de trufas, que são montados na região em cidadezinhas como Périgueux (os Marchés au Gras), Brantôme (manhãs de sexta-feira) e Sarlat-la-Canéda (manhãs de sábado). Grandes chefs de cozinha locais descem 35km ao sul de Périgueux até o diminuto mercado de St. Alvère, o marché aux truffes
, onde as melhores colheitas chegam a custar 1 mil euros por quilo, e as iguarias são pesadas em balanças em plena praça principal.

Coisas para fazer depois de comer

(Foto: Getty Images/ Lonely Planet)

Castelos históricos

Não perca as fortalezas da Dordogne belamente situadas, como o Château de Beynac e o Château de Castelnaud, localizados em uma oposição estratégica, um de cada lado das águas verdes-esmeralda do Rio Dordogne. Ali perto, você pode conhecer a grandiosa casa da artista Josephine Baker, em Château des Milandes.

Arte rupestre no vale de Vézère

Ao norte de Dordogne, o plácido Rio Vézère passa por campinas verdejantes, criando pequenos vales cercados por penhascos de calcário, que escondem dúzias de cavernas subterrâneas mundialmente famosas por seus sítios pré-históricos maravilhosamente bem preservados. Na parte de dentro das cavernas, as pinturas, gravações e esculturas rupestres compõem a mais alta concentração de arte da Idade da Pedra encontrada na Europa. A maioria foi criada pelo povo Cro-Magnon em cerca de 15 mil a 10 mil anos a.C., e os primeiros sítios ficam próximos à cidadezinha de Les Eyzies-de-Tayac-Sireuil, com seu brilhante Musée National de Préhistoire. Entre as melhores cavernas, estão Grotte de Font de Gaume, Grotte des Combarelles, Grotte de Rouffignac
 e Lascaux II (esta última é uma reconstrução da magnífica caverna original, Lascaux, hoje fechada ao público).

Navegando nos rios da Dordogne

Uma das melhores formas de explorar o lindo cenário na Dordogne é navegando pelos seus rios a bordo de um gabarre, um barco de fundo plano usado para o transporte de carga pelos rios de Périgord. De abril a outubro, gabarres tradicionais partem de Bergerac, Brantôme, Beaulieu-sur-Dordogne e La Roque Gageac. Entre as empresas que operam o passeio em La Roque Gageac, estão a Gabarres Caminade, a Gabarres Norbert e a Gabarres de Beynac. Para queimar um pouco das calorias adquiridas ao longo da viagem, você também pode alugar caiaques e canoas com empresas locais. Em La Roque Gageac, procure a Canoë Vacances e, em Les Eyzies, a Canoës Vallée Vézère.

Este artigo foi publicado em Junho de 2016 e foi atualizado em Junho de 2016.

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