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Algarve: motivos para visitar e se encantar com a beleza da região

Cidadezinha na região de Algarve

A região do Algarve é sedutora. O litoral tem muito destaque por suas falésias de tirar o fôlego, praias douradas, baías e ilhas arenosas, mas as letras “s” (para o sol e surfe) e “a” (para atividades e areia) são apenas algumas no alfabeto algarviano: bares de praia (e discotecas), castelos (de areia e reais), diversão, mergulho, lazer, são outras palavras cujas iniciais o integram.

Sejamos honestos: o primeiro destino de férias de Portugal vendeu sua alma para o turismo nos anos 1960 e nunca olhou para o passado. Atrás das seções de beachscape da costa sul pairam conglomerados maciços de villas tranquilas de férias e resorts agitados. No entanto, a costa oeste tem mais natureza e é menos desenvolvida.

O litoral do Algarve é uma “gota no oceano” para qualquer visitante. O interior possui bonitas cidades com castelos e aldeias históricas, encostas cobertas por flores e a maravilhosa Via Algarviana atravessa toda sua amplitude.

 

História

A vila Ferragudo, na região de Algarve
Foto por: johncopland/ThinkStock

 

O Algarve tem uma longa tradição de enraizamento. Os fenícios chegaram primeiro e estabeleceram postos comerciais, cerca de 3 mil anos atrás, seguidos pelos cartagineses. Depois vieram os romanos industriosos que, durante sua estadia de 400 anos, cultivaram trigo, cevada, uvas e construíram estradas e palácios. Confira as ruínas de Milreu, perto do Faro.

A seguir vieram os visigodos e, em 711, os mouros do norte da África, que se estabeleceram na região por 500 anos até os cristãos destruírem o que puderam, deixando poucos vestígios da época. A maioria dos nomes dos lugares da região, facilmente reconhecidos pelo artigo ‘‘al’’ (por exemplo, Albufeira, Aljezur, Alcoutim), vem dos tempos mouros. Os povos provenientes da Síria chamaram a região do leste do Faro a Sevilha (Espanha) “al-Gharb al-Andalus” (Andalucía ocidental), mais tarde conhecida como “Algarve”. Outro legado mouro é a casa de telhado plano, originalmente usado para secar as amêndoas, figos e milho, e para suportar do calor da noite.

O comércio, particularmente de frutas e nozes secas, cresceu, e Silves era a poderosa capital moura, bastante independente do grande emirado islâmico para o leste. A Reconquista cristã começou no início do século 12, com a rica região do Algarve como objetivo final. Embora dom Sancho I tenha recuperado Silves e os territórios a oeste em 1189, os mouros retornaram e somente na primeira metade do século 13 que os portugueses conseguiram retomar o território de vez.

Dois séculos mais tarde o Algarve teve seu apogeu. O infante dom Henrique, o Navegador, escolheu Sagres como base para sua escola de navegação, e tinha navios e tripulações em Lagos para a exploração da África e da Ásia no século 15, com triunfos marítimos que transformaram Portugal num grande poder imperial.

 

Fique atento

Essa é a área mais turística de Portugal e pequenos furtos são constantes. Nunca deixe objetos de valor no carro ou na praia.

Vila à beira do mar em Carvoeiro, cidade de Algarve
Foto por: sergoua/ThinkStock

 

Banhistas, cuidado com as condições temperamentais da costa (especialmente a oeste), com as correntes oceânicas perigosas, ventos fortes e, às vezes, neblina. Verifique as bandeiras coloridas: quadriculada significa que a praia está sem supervisão; vermelha significa nem sequer molhe o dedo do pé, uma vez que, no momento, não será seguro fazê-lo; amarelo significa remar, mas não nadar; e verde significa que é seguro nadar. A bandeira azul é um símbolo internacional que significa que a praia é sensacional — segura, limpa, com boas instalações.

A instabilidade das falésias também é um problema, especialmente indo para o oeste de Lagos. A erosão é contínua e quedas de rochas graves e deslizamentos de terra menores ocorrem. Preste atenção aos sinais nas praias.

 

Expondo (demais) o Algarve

A maior parte do dólar de turismo em Portugal vem do Algarve. O número de turistas não é só o de viajantes internacionais, pois também os portugueses e suas casas de veraneio movimentam uma grande parte dessa indústria e muitos exilados se mudaram para lá permanentemente. O grande fluxo de visitantes tem levado grande parte da costa sul do Algarve a um contínuo desenvolvimento. Apesar de o setor turístico gerar empregos – embora sazonais – para milhares de pessoas, especialmente os jovens, alguns argumentam que a partida dos portugueses de suas vilas está causando uma desintegração irreversível das tradições e da vida da aldeia. Preocupações foram também levantadas sobre o impacto ambiental causado pela construção (principalmente de concreto) de grandes hotéis, apartamentos, lojas e restaurantes, e a construção de estradas principais. A destruição das zonas costeiras, incluindo falésias e praias, e a pressão sobre os recursos hídricos estão entre os problemas citados. Apesar de a construção parecer controlada, nem sempre é sensível aos arredores.

Nos últimos anos, as autoridades de turismo têm focado seus esforços na promoção de atividades de interesse especial além de sol, surfe e areia. Através dessa iniciativa, a natureza espetacular da região, como as trilhas e aldeias do interior, têm tido cada vez mais destaque. No entanto, essa promoção também fez com que milhares de turistas lotassem alguns dos mais de 30 campos de golfe do Algarve, que têm um grande impacto ambiental, embora alguns campos estejam adotando práticas de manutenção ecologicamente corretas.

Ao visitar o Algarve pense cuidadosamente sobre o impacto de sua visita nessa região sensível: vá para o interior (com responsabilidade), seja seletivo com as empresas e considere o impacto das atividades que realizar.

A região é repleta de vilas e pequenas comunidades que devem ser preservadas
Foto por: Inácio Pires/ThinkStock

 

A Diretoria de Turismo do Algarve tem algumas publicações excelentes para ajudar você a sair de trilhas convencionais, como a Rotas: Tours ao redor do Algarve (ideal para aqueles que estão de carro) e Trilhas do Algarve, que descreve algumas trilhas naturais e pelo campo de um dia (ou mais curtas). Ambas custam €7.

 

Esta matéria faz parte da 2ª edição do Guia Portugal da Lonely Planet.

Este artigo foi publicado em Maio de 2015 e foi atualizado em Maio de 2015.

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