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Plaza de Mayo: história e atrações

Plaza de Mayo

A Plaza de Mayo é o centro político, social e simbólico de Buenos Aires. Rodeada pela Casa Rosada, o Cabildo e a catedral principal da cidade, a praça é o marco zero de reuniões políticas e protestos da cidade – tanto pacíficas quanto violentas. Quando a praça não está cheia de ativistas, no entanto, atrai turistas com câmeras prontas para clicar as atrações. Há também um ou outro ladrão de câmeras.

 

Plaza de Mayo

A Plaza de Mayo é um símbolo da cidade
Foto por: 
Jose Luis Stephens/iStock/ThinkStock

 

Quando Juan de Garay refundou Buenos Aires em 1580, ele criou a grande Plaza del Fuerte de acordo com a legislação espanhola. Mais tarde chamada de Plaza del Mercado, depois de Plaza de la Victoria (devido a vitórias sobre invasores britânicos em 1806 e 1807), a praça adquiriu o nome atual, Plaza de Mayo, em homenagem à data em que Buenos Aires declarou sua independência da Espanha: 25 de maio de 1810.

No centro da praça está a Pirámide de Mayo, um obelisco branco construído para marcar o primeiro aniversário da independência de BA da Espanha. No lado norte da praça fica a sede do Banco de la Nación (1939), obra do famoso arquiteto Alejandro Bustillo. A maioria dos outros edifícios públicos da área são do final do século 19, quando a Av. de Mayo passou a conectar a Casa Rosada e a Plaza Del Congreso, destruindo a maior parte do histórico Cabildo.

A Plaza de Mayo é conhecida como o local preferido para muitos protestos civis; observe as desagradáveis barricadas que dividem a praça em duas, feitas para desmotivar a reunião de piqueteros (piqueteiros). Mas essas barricadas não impediram as Madres de la Plaza de Mayo – as mães dos “filhos desaparecidos” durante a Guerra Suja da ditadura militar, entre 1976 e 1983 – de marchar ao redor da praça todas as tardes de quinta às 15h30 desde 1977. Originalmente, elas exigiam um relato completo das atrocidades que ocorreram durante a guerra, mas em 2006 declararam trégua com o governo de Néstor Kirchner, pois ele se solidarizava com a causa. Até hoje elas marcham, mas como uma forma de lembrar o passado – e por outras causas de justiça social.

 

Casa Rosada

O palácio presidencial é um dos marcos da praça
Foto por: elxeneize/iStock/ThinkStock

 

Ocupando todo o lado leste da Plaza de Mayo, encontra-se a inconfundível fachada rosa da Casa Rosada, o palácio presidencial, cuja construção foi iniciada durante a presidência de Domingo F. Sarmiento. Ela situa-se onde antes havia fortificações coloniais ribeirinhas. Hoje, no entanto, depois de inúmeros aterros, o palácio fica a mais de 1km do rio. O gabinete de “La Presidenta” Cristina Kirchner encontra-se ali (uma pequena flâmula sob a bandeira nacional da Argentina anuncia sua presença no edifício), mas a residência presidencial fica no pacato subúrbio de Olivos, ao norte do centro. A lateral do palácio voltada para a Plaza de Mayo é na verdade a parte de trás do edifício. Era dessas varandas que Juan e Eva Perón, o general Leopoldo Galtieri, Raúl Alfonsín e outros políticos discursavam para a multidão de argentinos apaixonados quando queriam demonstrar apoio ao povo. Madonna também cantou ali na gravação do filme Evita.

A cor rosa-salmão do palácio, que brilha ao pôr do sol, pode ter sido uma tentativa do presidente Sarmiento de selar a paz durante o mandato de 1868-1874 (misturando o vermelho dos Federalistas com o branco dos Unitaristas). Outra teoria, porém, é que a cor vem da mistura de tinta com sangue bovino, uma prática comum no final do século 19.

Inacessível durante a ditadura militar de 1976-1983, a Casa Rosada é agora razoavelmente acessível ao público. São oferecidas visitas gratuitas de meia hora.

Sob a Casa Rosada, escavações desenterraram restos do Fuerte Viejo, uma ruína que data do século 18. Elas podem ser vistas através da entrada para o Museo del Bicentenario.

Em 1955, aeronaves navais metralharam a Casa Rosada e outros edifícios vizinhos durante a Revolução Libertadora, que derrubou o regime de Juan Perón. No lado norte do Ministerio de Economía, de aparência burocrática, uma placa discreta relembra os ataques (procure os buracos de bala à esquerda das portas). A inscrição diz: “As cicatrizes deste mármore foram fruto de confrontos e intolerância. A marca deixada na nossa memória vai ajudar o país a alcançar um futuro de grandeza”.

Perto da Casa Rosada, ao sul do Parque Colón, na Av. Colón, fica a sede do exército no Edificio Libertador, que foi o centro do poder político argentino por muitas décadas. Ele foi construído por engenheiros militares inspirado no Correo Central, de estilo beaux arts. Um edifício irmão projetado para a Marinha nunca saiu do papel.

 

Museo del Bicentenario

Atrás da Casa Rosada você notará uma elevação de vidro que indica a presença desse arejado e bem iluminado (e gratuito) museu (www.museobicentenario.gob.ar), localizado sob as abóbadas da antiga aduana. Explore esse espaço aberto, que tem mais de uma dúzia de salas laterais – cada uma dedicada a uma época diferente da tumultuada história política da Argentina.

A maioria das atrações são vídeos (em espanhol) e alguns artefatos, juntamente com exposições de arte temporárias e um impressionante mural feito pelo artista mexicano David Alfaro Siqueiros. O agradável café-restaurante do local é um bom lugar para comer e descansar.

 

Catedral Metropolitana

Essa catedral solene, construída no terreno de uma antiga igreja colonial original, só foi concluída em 1827. O prédio é um importante marco religioso e arquitetônico da cidade, com baixos-relevos de Jacó e José acima da fachada triangular e das colunas neoclássicas. O amplo interior é igualmente impactante, com uma profusão de detalhes barrocos e um elegante altar rococó.

O mais importante, entretanto, é o fato de esse prédio, declarado patrimônio histórico nacional, abrigar a tumba do general José de San Martín, maior herói argentino. No caos que se seguiu à independência, San Martín escolheu o exílio na França e nunca voltou vivo ao país (apesar de ter avistado Buenos Aires do barco no qual seguia para Montevidéu, em 1829). Fora do prédio, você verá a chama eterna que mantém vivo o seu espírito.

As visitas à igreja e à cripta (em espanhol) estavam suspensas na época da pesquisa para este guia, mas verifique quando você for viajar se elas estão sendo oferecidas de novo. Se quiser uma lembrancinha do papa Francisco (afinal, ele é argentino), vá à lojinha de presentes no interior da catedral. Há ainda uma programação de esporádicas apresentações gratuitas de corais.

 

Cabildo

O exterior do prédio foi pouco modificado, mas o interior funciona como um belo museu
Foto por: anibaltrejo/iStock/ThinkStock

 

O edifício que era a prefeitura em meados do século 18 é agora um museu (www.cabildonacional.com.ar). Ele costumava ter colunatas que se estendiam desde a Plaza de Mayo, mas, infelizmente, a construção de avenidas ao redor as destruiu. No interior, você encontrará lembranças de invasões britânicas do início do século 19, algumas pinturas em estilo colonial e do início do período de independência e exposições temporárias ocasionais. Nas quintas e sextas, um animado mercado de artesanato é montado no pátio – e o café é um ótimo lugar para relaxar. São oferecidas visitas guiadas em espanhol.

 

Esta matéria faz parte da 2ª edição do nosso Guia Buenos Aires, que já está chegando nas livrarias. Para explorar mais de todo o país, veja também nosso Guia Argentina!

Este artigo foi publicado em Abril de 2015 e foi atualizado em Abril de 2015.

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