Beirute

Beirute

Apresentando Beirute

A sua visão do que é Beirute depende do ponto da cidade em que está. Se estiver observando as belas relíquias coloniais reconstruídas e mesquitas do centro de Beirute, vai perceber que a cidade é um triunfo da renovação sobre a destruição. Se estiver nos bairros jovens de Gemmayzeh ou Achrafiye, Beirute se resume a viver o momento: dançar, comer e beber como se não houvesse amanhã. Se estiver na sombra de edifícios cravejados de balas, ou caminhando na Green Line com um cidadão idoso local, essa é uma cidade de memórias amargas e um passado sombrio. Se falar com os armênios de Beirute, vai ver a cidade como um símbolo de salvação, se falar com os judeus da cidade, esse é um local para esconder a identidade, e se decidir visitar um dos campos de refugiados no sul da cidade, Beirute é um símbolo de tristeza e deslocamento. Essa cidade de muitas faces é a cidade do Oriente Médio onde há maior liberdade para os gays, apesar da homossexualidade ainda ser oficialmente ilegal no país. Alguns distritos do sul são considerados uma base para operações paramilitares e é nessa região que vive o infame secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah. Para alguns, é uma cidade de medo, para outros de liberdade.

Junte a essa mistura motoristas descontrolados, fumaça de canos de descarga de antigos táxis Mercedes, universidades reconhecidas em todo o mundo, bares que não perdem para nenhum pub londrino, cafés tão concentrados que parecem lama, manifestações políticas e piscinas frequentadas por mulheres com mais implantes de silicone que em Miami. Junte também pessoas tão simpáticas que vai até estranhar, um ambiente político no fio da navalha, museus conhecidos internacionalmente e galerias de arte que continuam abertas apesar dos assassinatos, explosões e cortes de energia. O resultado é uma capital extremamente viva e empolgante, apesar de toda a sua inconstância.    

Última atualização: 26 de Novembro de 2014