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O guia para a melhor road trip pelo Uruguai

Sarah Gilbert

Espremido entre os gigantes Brasil e Argentina, o compacto Uruguai (o segundo menor país da América do Sul) é política e economicamente estável, pacífico e perfeito para uma aventura a quatro rodas. Graças a boas estradas, motoristas atenciosos e – fora da alta temporada – pouco trânsito, é possível explorar a sua costa e amplos pampas no seu próprio ritmo.

Abaixo, destacamos alguns lugares imperdíveis para se conhecer.

 

Faça uma road trip épica pelo Uruguai, um país fácil de se conhecer pegando a estrada © Juan Pablo Malcon / EyeEm / Getty Images

As ondas do Maldonado…

Deixe o Aeroporto Internacional de Carrasco, em Montevidéu, seguindo direto para a praia. Uma viagem de duas horas a leste o leva à relaxante La Barra e à pousada retrô chic Casa Zinc, onde você encontra quartos decorados em estilo vintage com achados de mercados de pulga. Aproveite alguns dias na região para explorar praias desertas, surfar na Playa Bikini, mergulhar nas lojas de antiguidades de La Barra, conhecer as lojas de design de Manantiales e jantar em restaurantes casuais como o El Chancho e La Coneja.

Seguindo dez minutos de carro a oeste, do outro lado da ponte que cruza o rio Maldonado, você encontra a reluzente Punta del Este, onde os arranha-céus lembram uma réplica diminuta de Miami e os bares, clubes e praias viram o playground de abastados argentinos e brasileiros em dezembro e janeiro.

 

A pacífica praia de Jose Ignacio © Sarah Gilbert / Lonely Planet

A boêmia José Ignacio está a apenas 30 minutos a leste. Não há resorts enormes, baladas animadas ou shoppings nessa antiga vila de pescadores, somente amplas praias guardadas por um pitoresco farol e salpicadas de casas luxuosas. Durante a alta temporada, o lugar se torna um despretensioso recanto de celebridades graças às butiques de luxo, galerias e aos restaurantes de famosos chefes. No restante do ano, é o local perfeito para relaxar e se banquetear com frutos do mar – experimente o Parador La Huella, de frente para o mar.

… e os campos

De Manantiales, siga para o norte, em direção à Fundação Pablo Atchugarry, onde há, a apenas dez minutos da costa, um parque com esculturas criadas por um dos artistas mais renomados do Uruguai. Se for o seu dia de sorte, talvez você flagre Atchugarry esculpindo alguma de suas gigantescas obras.

 

O grande vinhedo da Bodega Garzón © Sarah Gilbert / Lonely Planet

A quieta vila de Garzón está a 50 minutos em direção ao nordeste. Cercada por serenos pampas, passou por uma grande mudança: de cidade quase fantasma a polo gastronômico. Isso tudo graças ao lendário chefe argentino, Francis Mallmann, que transformou o abandonado armazém geral da cidade em um charmoso restaurante com quartos, o restaurante Garzón. Mesmo que você não pernoite, vale a visita para se deliciar com uma refeição. O destaque do menu são pratos regionais, e tudo – desde a salada com laranjas queimadas, ao excelente filé, e, até mesmo, os coquetéis – é feito em fogo aberto. Graças à iniciativa de Mallmann, galerias contemporâneas e espaços criativos estão surgindo junto a outras atividades, como cavalgadas, observação de pássaros e ciclismo.  

A 30 minutos de carro da vila, passando por um pedaço de estradas de terra, você chega a um prédio baixo de pedras: é a vinícola de alta tecnologia Bodega Garzón. Faça um tour no local, com direito à degustação (mas lembre-se: o Uruguai tem uma política de tolerância zero quanto a beber e dirigir, então, combine de antemão quem vai pegar no volante), ou, então, faça um refeição no restaurante da vinícola, onde todos os ingredientes vão direto da fazenda para a mesa e você ainda pode aproveitar a ampla vista do lugar. Faça questão de provar o Balasto, um blend que usa a uva típica do Uruguai, a Tannat.

 

Compre delícias saborosas no Mercado del Puerto Monte, em Montevidéu © Sarah Gilbert / Lonely Planet

A relaxada capital

Volte para Montevidéu, uma viagem de duas horas e meia para oeste, em estradas quase vazias cercadas por campos e gado, até que a capital apareça no horizonte (curiosidade: o Uruguai tem quase quatro vezes mais vacas do que pessoas). Emoldurado pelas calmas águas do rio da Prata, essa cidade pequena e fácil de explorar foi fundada em 1726 pelos espanhóis, possuindo uma atmosfera tanto europeia quanto latino-americana.

Na Ciudad Vieja, contemporâneos arranha-céus feitos de vidro ficam lado a lado a fachadas art-déco e grandiosas mansões coloniais. Você pode celebrar a La Cumparsita, o tango mais famoso do mundo, no Museu do Tango, localizado no imponente Palácio Salvo, na Praça Independência. O agitado Mercado do Porto é perfeito para um almoço sossegado – uma opção é escolher a salada de polvo e um peixe fresco – em um dos restaurantes, lotados de moradores da região e turistas nos fins de semana.

 

Um grupo de percussionistas e dançarinos – conhecido como comparsa – toca e dança ao ritmo tradicional da música candombe © PABLO PORCIUNCULA / Getty Images

O Uruguai e a Argentina podem brigar para saber quem inventou o tango, qual a melhor maneira de beber mate ou quem produz o melhor doce de leite, mas os ritmos contagiantes do candombe são exclusivamente uruguaios, remontando ao meio do século 18 e à chegada dos escravos africanos. Talvez você escute o candombe pela região do porto, quando há algum navio cruzeiro, ou no bairro de Palermo, quando os grupos de candombe – ou comparsas – tomam as ruas à noite para ensaiar. As comparsas têm um papel chave no colorido carnaval de Montevidéu – que dura quarenta noites (começando em 24 de janeiro) – e desfilam com fantasias durante as Las Llamadas.

Depois, faça como os montevideanos e vá para a praia – Pocitos é uma das mais populares – ou passeie, corra ou pedale ao longo da Rambla, um calçadão que serpenteia por 23km de orla.

 

Passeie pelas históricas ruas de Colônia do Sacramento © Global_Pics / Getty Images

 A histórica Colônia do Sacramento

Colônia do Sacramento, a cidade mais antiga do Uruguai, fica 180km a oeste, e, bem do outro lado da larga faixa cor de chá que é o rio da Prata, está Buenos Aires. Fundada por colonizadores portugueses em 1680, ela trocou de mãos entre portugueses e espanhóis durante décadas. Hoje, seu Barrio Histórico, com cara de cartão postal e tombado pela Unesco, está repleto de belas praças arborizadas com cafés perfeitos para observar a movimentação, além de um calçadão na beira do rio para contemplar o pôr do sol da primeira fila.

Os quatro quartos da La Posadita de La Plaza, na praça principal, é um bom início para a sua exploração, e Eduardo Alvares Boszko – um fotógrafo brasileiro, colecionador e anfitrião genial – encheu seu B&B exclusivo com um conjunto peculiar de objetos vintage de todo o mundo.

 

Aproveite o aconchego eclético da La Posadita, em Colônia do Sacramento © Sarah Gilbert / Lonely Planet

Explore as ruínas do século 17 do Convento de San Francisco e depois suba cerca de 100 degraus do farol do século 19 para apreciar vistas espetaculares. Não deixe de passear pelo Portón de Campo, o reconstruído portão do século 18, com sua ponte levadiça de madeira, e separe um tempo para conhecer as ruas de paralelepípedo livres de carros. Se estiver se sentindo majestoso, esbanje no Charco Bistró, ou siga para La Bodeguita, a fim de provar um chivito (sanduíche típico uruguaio).

Termine a viagem dirigindo de volta a Montevidéu ou, se topar mais aventura, deixe seu carro em Colônia e pegue a balsa da Colonia Express ou Buquebus para Buenos Aires, a apenas 45 minutos – e um mundo inteiro – de distância.

Faça acontecer

Há várias empresas de aluguel de carro no Aeroporto Internacional de Carrasco, em Montevidéu, incluindo Avis, Budget e Hertz. Os motoristas precisam ter, no mínimo, 23 anos de idade e carteira definitiva há dois anos. É possível alugar carros automáticos, e recomendamos o uso de GPS. Pagando uma taxa extra, você pode devolver o carro em uma cidade diferente de onde o alugou.

Este artigo foi publicado em Outubro de 2019 e foi atualizado em Outubro de 2019.

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