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No topo do Vidigal

Morro do Vidigal

Suba o morro, é seguro. Eu, um estranho no ninho e viciado em Chaves, fui orientado, pelo dono da casa em que fiquei, a deixar a porta aberta. Assim, seus amigos, em constante trânsito de casa em casa, não o incomodariam tocando o campainha.

Não é só seguro, é bonito. E nem estou na parte poética ainda. É bonito, mesmo – tanto os sobrados de três andares, de janela aberta, exibindo interiores super aconchegantes, quanto a vista covarde que se tem para o Atlântico. Se impressione com a qualidade dos graffitis dos muros, feito por uma mulecada incentivada a gostar de artes desde pequena. Tome uma cerveja trincando de gelada em botecos mais antigos que os da Lapa e se hospede num dos belíssimos hostels que tem aparecido - e ainda não cobram o preço que merecem.

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Existem hospedagens de todos os tipos por toda a extensão íngreme e vertiginosa da João Goulart, a rua principal – de pousadas familiares improvisadas a albergues de luxo. Os negócios afloram: redes de supermercados, farmácias, agências bancárias, restaurantes por quilo, mototaxis… até sushibars. Tudo é incrível por ser tão normal. 

(Foto: Anderson Spinelli)

De quanto mais longe o visitante vem, maior o interesse. Os gringos uniformizados não se intimidam. É fácil encontrar um estrangeiro visitando, trabalhando ou até morando por ali. Alguns deles sequer falam português. Aproveitaram a oportunidade de negócio que a pacificação ofereceu e investiram no boom imobiliário.

O Vidigal agora é cool. Junto com a euforia, também chegou a inflação. Ainda assim, quero ver achar, no asfalto, alguém vendendo cerveja de garrafa a R$6,50. Contra os preços, ainda é de graça subir até o topo do Morro Dois Irmãos. Só precisa ter perna pra encarar a trilha de uma hora.

Não sei se há possibilidade de outras comunidades, que não tem a mesma localização ou vista do Vidigal, tomarem o mesmo rumo.O próprio termo pacificar é um tanto marqueteiro. Se a comunidade não floresce por si própria, a iniciativa não funciona. Viva a favela-bairro-nobre

Artigo escrito por Anderson Spinelli do blog Destinos imperdíveis

Este artigo foi publicado em Julho de 2016 e foi atualizado em Julho de 2016.

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