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Relato: Cusco, Ollantaytambo, Macchu Picchu, Puno e Lima

Fernanda Monteiro conta sobre sua viagem ao Peru

Por Fernanda Monteiro

São ao todo 9 países, mais de 30 cidades diferentes e, sinceramente, acho que posso dizer que de tantos lugares que já visitei, me encontrei a pouco mais de 3 horas do Brasil. Não poderia começar o texto falando sobre outra cidade que não seja Cusco. Além de ter sido a primeira em que pisei, certamente foi a que mais mexeu comigo. O centro da cidade é repleto de igrejas e lojinhas de artesanato. Todas as igrejas são cercadas de muito ouro, prata e pinturas feitas por peruanos. O mais curioso dessa história é que muitas dessas pinturas foram usadas para catequizá-los, como os jesuítas não falavam a mesma língua deles, as pinturas serviam para ajudá-los a entender a religião, através das expressões dos personagens, o cenário retratado, etc.

Bom, quanto às lojinhas, sou muito suspeita. Além de ser shoppaholic, eu adoro comprar coisas que não tenho ideia de quando e onde vou usar, então acabei comprando milhões de tecidos, tapetes de alpaca, pedras energizadas, amuletos, mochilas, objetos de decoração. E não, não tenho nem onde guardar isso, mas posso dizer que meus olhos brilharam com tudo que comprei e que de alguma maneira visualizei cada item na minha futura casa, no meu futuro escritório, em coisas ainda não palpáveis - e acho que essa é a mágica de boas viagens, comprar lembranças de algo que já deixa saudades antes mesmo de acabar e aquela sensação desesperadora de “Não sei quando vou voltar aqui”. A parte mais apaixonante disso tudo é que cada lojinha tem seu encanto, seu estilo e a incrível maneira de seus donos de negociar, jogando um preço alto de início para em milésimos de segundos perguntar quanto você deseja pagar. Andando pela ruas estreitas de Cusco você vai descobrindo centenas dessas lojinhas escondidas e vai se descobrindo, descobrindo o quanto aquelas cores fazem parte daquela cultura até que acabam fazendo parte de nós mesmos.

Depois de alguns dias em Cusco, partimos para Ollantaytambo, um lugar repleto de construções incas, ruas estreitas e barracas com peruanos negociantes. Por ali, encontram-se algumas boas comidas típicas e a melhor parte é que dá pra ser light, já que muitos pratos são a base de quinoa. Quinoa + caminhadas + subidas = Peru é magreza!

Foto por Fernanda Monteiro

 

Seguimos para Machu Picchu, onde as horas passam rápido a as subidas não acabam NUNCA. O lugar é realmente tudo isso que está nas fotos, tudo o que dizem e tudo o que nós, turistas, esperamos. Expectativas mais do que atendidas. Metade do dia é gasto nas construções incas abaixo de Wayna Picchu, aprendendo ainda mais sobre os costumes e cultura daquele povo que mesmo sem grandes recursos desenvolvia uma sabedoria tamanha. A outra metade do dia é gasto subindo para ver do ponto mais alto a vista mais linda, e a cada meia dúzia de degraus encontra-se meia dúzia de pessoas com a mesma dificuldade em subir tudo aquilo ou outra meia dúzia descendo e deixando seus dizeres: “Força, vale a pena”. E não é que vale mesmo?!

Foto por Fernanda Monteiro

 

Passados os “exercícios aeróbios” chega e hora de conhecer Puno, lugar que, devido à distância, acaba deixando de ser visitado por alguns turistas, uma grande pena. Afinal, dificilmente deparamos com pessoas que optam por um estilo de vida simples, rústico e são felizes assim, carregando dentro de si a alma de gerações anteriores.

Foto por Fernanda Monteiro

 

Cerca de 1500 pessoas vivem nas Ilhas Flutuantes de Uros, localizadas a 30 minutos do centro de Puno. A ilha é dividida em “colônias” com no máximo 15 pessoas em cada. Vão ao Centro uma vez na semana para comprar alimentos e matéria-prima para seus artesanatos. Um barco-mercado passa uma vez por dia e isso é tão real que enquanto minha curiosidade se acentuava durante a visita, o barco-mercado passou e os habitantes da “colônia” em que eu estava simplesmente saíram correndo para fazer suas compras e eu no auge do desespero e desentendimento achei que a ilha estava afundando. Foi no mínimo engraçado.

Foto por Fernanda Monteiro

 

Existe um sistema de visitas guiadas em que cada barco de visitantes que chega é direcionado para uma colônia específica e pré-definida por um rodízio que eles mesmos organizam, evitando assim que algumas colônias recebam mais visitas do que outras. E assim eles ganham a vida, fazem de sua cultura local sua fonte de renda, sem grandes tecnologias, sem fake, sem encenação, o que infelizmente vemos em alguns países.

Essa beleza é autoexplicativa:

Foto por Fernanda Monteiro

 

E pra finalizar a viagem, Lima. Sem grandes magias, a cidade também tem seu encanto. Me senti em Barcelona de novo no Parque Del Amor, com uma bela vista para o Oceano Pacífico, o parque tem uma escultura ousada feita pelo artista peruano Victor Delfim. Muitos mosaicos espalhados pelos muros, o que me lembrou do eterno Gaudí. Desenhos e frases românticas fazem o parque ser um lugar que atrai casais. Hummmm, não! Obrigada! 

Este artigo foi publicado em Dezembro de 2015 e foi atualizado em Dezembro de 2015.

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