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O melhor do rio Colorado: um passo, uma pedalada ou remada de cada vez

Rio Colorado

Serpenteando por mais de 2.300 quilômetros, o rio Colorado é nada menos do que o ponto nevrálgico do grande Oeste americano. Recebendo a neve das Montanhas Rochosas, corre através de pinheirais, perdendo força ao adentrar o deserto e moldando os desfiladeiros róseos do Grand Canyon. Na concepção dos americanos, trata-se de uma força vital poderosa, uma maravilha da natureza que criou um lugar belo e generoso onde é possível se divertir.

Apesar disso, sua existência é frágil: o rio Colorado não alcança mais o oceano; ele seca no meio do deserto mexicano. As secas prolongadas na Califórnia e no sudoeste indicam um crescente padrão de diminuição da vazão dos rios e do fornecimento de água no Oeste. A preservação tornou-se uma necessidade.

Cerca de 50 anos depois que Edward Abbey escreveu Desert Solitaire, um relato revoltoso das experiências do autor no deserto americano, viajar pela região ainda mantém a aura de peregrinação. Abbey, que trocou o que ele chamou de “viagem industrial” por uma imersão na paisagem que fosse mais demorada, sustentável e protecionista, certamente descobriu algo importante. Uma slow travel (viagem demorada) pode ajudar a preservar ambientes frágeis, por meio de travessias a pé, sobre duas rodas ou de barco.         

 

Nascentes das Montanhas Rochosas

Nascente do rio Colororado, no Parque das Montanhas Rochosas
Foto por: 
Sture Nilson/ThinkStock

 

O rio Colorado nasce como um fio de água no Parque Nacional das Montanhas Rochosas. Para os amantes de trilhas, é um paraíso de vales exuberantes de lagos alpinos e riachos de águas cristalinas que reluzem sob os picos nevados da região setentrional do Colorado. O parque oferece opções de caminhada no verão, caminhadas sobre raquetes de neve no inverno e a oportunidade de vislumbrar carneiros-selvagens, marmotas ou cervos em seu hábitat. Comece a caminhada pelo traslado gratuito até a trilha do Lago dos Ursos. De lá, as famílias podem fazer o passeio até as Cataratas de Alberta. Mochileiros precisam obter uma autorização de pernoite do escritório do parque para explorar a deslumbrante Glaciar Gorge, que pode ser mais bem aproveitada quando as flores silvestres de verão colorem as bacias alpinas.

Os alpinistas apuram seu olhar na extensão do Longs Peak, com 4.270 m de altura. Um baluarte das cidades do Front Range, está dentre os picos com altura superior a 4 mil metros mais desafiadores do Colorado. Pessoas sem muita experiência com montanhas podem melhorar suas chances de ter uma aventura bem-sucedida com o auxílio da Colorado Mountain School, que oferece guias e aulas de alpinismo no parque. A cidade que serve de porta de entrada para o Estes Park oferece serviços voltados para os visitantes do parque, incluindo bares, restaurantes e hospedagem. A melhor pedida são as cabanas rústicas de madeira da filial da YMCA (Young Men’s Christian Association, Associação Cristã de Moços) nas Montanhas Rochosas.

Apelidada de “estrada para o céu”, a Trail Ridge Road (US 34) atravessa o parque e vai até a Divisão Continental, subindo cerca de 1.200 m em uma série de curvas perturbadoramente radicais. Então, a estrada adentra uma vasta região de tundra que dá vista para os picos. Antes de ir, acesse o site do parque para verificar quais são os períodos do ano em que as estradas ficam fechadas. A área tem sido muito prejudicada pela poluição nos últimos anos, por isso considere usar um meio de transporte de baixas emissões. Para uma viagem mais sustentável, há veículos híbridos disponíveis na maioria das agências de locação de carros de Denver, e bicicletas podem ser encontradas em todo o parque.

 

Aventura no deserto

Depois de percorrer a costa ocidental do Colorado, o rio corta o sudoeste do Utah, tocando o Parque Nacional dos Arcos e a capital das aventuras ao ar livre, Moab, antes de chegar às Canyonlands, outro parque nacional imperdível. Esses ambientes frágeis formam o campo de batalhas dos debates sobre ocupação de terras (motorizada versus não motorizada), assim como o desenvolvimento e a exploração de recursos, com um apelo atual aos gaseodutos planejados em terrenos públicos próximo a Parque Estadual Dead Horse Point e às Canyonlands.

Moab é o centro da aventura de deserto. Com opções como mountain bike, trilhas pelo cânion e navegação no deserto, você pode passar a vida toda explorando esse labirinto de paisagens desérticas sem jamais se aborrecer. Nesse cenário completamente seco e repleto de estrelas, as melhores acomodações são os acampamentos, com maior facilidade de reserva durante a alta temporada de primavera ou de outono se feita com antecedência.

Os praticantes de mountain bike foram os primeiros a colocar Moab no mapa, atraídos pelo terreno irregular de Slickrock Trail’s, acessíveis a partir do centro da cidade. Uma opção mais suave é cruzar o Parque Estadual Dead Horse Point. Depois da travessia, a turma viciada em Lycra faz uma parada no  

Milt’s Stop & Eat para tomar milkshakes de caramelo grossos acompanhados de hambúrgueres bem gordurosos feitos de carne bovina de primeira ou carne de búfalo e batatas fritas frescas cultivadas no local. Os mais viciados na vida sobre rodas podem pegar a Trilha White Rim, pelo Parque Nacional Canyonlands, que tem mais de 112 km e leva 4 dias para ser percorrida. A Western Spirit Cycling Adventures oferece passeios de bicicleta com o apoio de uma van – um grande avanço para carregar sua própria água.

O Golden Eye, nas Canyonlands, e sua vista de tirar o fôlego
Foto por: jimfeng/ThinkStock

 

Nos limites de Moab, a deslumbrante e estranha paisagem do Parque Nacional dos Arcos oferece trilhas suaves a seus numerosos arcos de pedra vermelhos, entremeados com torres, sulcos e furos nas rochas. Mas esse pequeno parque é apenas um “aperitivo”. Para ver mais, siga para o Distrito das Agulhas de Canyonlands, cerca de 120 km ao sul de Moab. A Trilha de Chesler Park-Joint, com aproximadamente 17 km, leva os caminhantes em uma odisseia de 24 horas por um cânion de passagens estreitas, escaladas em torres de pedras escorregadias e travessias de pradarias a céu aberto.

 

Praticando rafting no Grand Canyon

Rio Colorado em pleno Grand Canyon
Foto por: 
Sam Camp/ThinkStock

 

Mais de 4,5 milhões de pessoas visitam o Grand Canyon todos os anos, mas, como o National Park Service restringiu o número de pessoas em atividade na água, os praticantes de rafting podem navegar o rio Colorado com relativa tranquilidade. Essa é uma experiência e tanto! O trecho de mais de 450 km entre o Lee’s Ferry e o Lago Mead conta com 98 corredeiras classificadas, praias arenosas e antigas ruínas que datam a presença do ser humano desde 12.000 anos atrás.

O ser humano está apenas de passagem pelo lugar – pelo menos essa é a ideia. Recentes propostas de desenvolvimento de uma linha de bonde na terra da tribo dos Navarro e milhares de residências em Tusayan podem mudar drasticamente a paisagem e ameaçar os aquíferos que abastecem as fontes do deserto. Defensores do parque alertam para a irreversibilidade dos danos a uma das paisagens mais icônicas da América.

Mas, por enquanto, o cânion é um lugar de refúgio. Sob seus paredões, o celular não dá sinal de vida. Visitantes podem se banhar na água fria e secar ao sol. À medida que os barcos avançam, o rio cava ainda mais o cânion, suas paredes lustrosas crescem mais íngremes e o aumento do fluxo é mais assertivo. A pé, os praticantes de rafting podem explorar os caminhos estreitos de rocha esculpida do cânion e as quedas d’água, lugares chamados Elves Chasm e Havasu, por exemplo, que lhe dão a ilusão de ser o primeiro habitante da Terra, mas as habitações dos Anasazi, as pinturas rupestres e os celeiros vão provar o contrário.

Viagens comerciais geralmente são organizadas em períodos de 3 a 13 dias, e a maioria delas é realizada em barcos motorizados. Mas há alternativas para aqueles que preferem viajar na velocidade do rio. O OARS (Outdoor Adventure River Specialists) usa barcos de madeira como os empregados na descida inaugural de John Wesley Powell, além dos tradicionais barcos a remo. Eles também podem providenciar uma viagem com contribuição à compensação de carbono. Voltada aos navegadores mais experientes, a cobiçada permissão para viagens do tipo “faça você mesmo” pode ser obtida por meio de um sorteio bastante disputado do Parque Nacional, realizado sempre no mês de fevereiro. O sistema é, na verdade, mais amigável aos novatos, que têm mais chance de conseguir uma data de saída.

Este artigo foi publicado em Julho de 2015 e foi atualizado em Julho de 2015.

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