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Cidade do México: as melhores atrações

Cidade do México

A Cidade do México, que nem sempre goza de boa fama, tem refeito sua reputação. Espaços públicos antes degradados estão reflorescendo, a cena gastronômica encontra-se em efervescência, e ainda há um nítido renascimento cultural. Porém, o mais surpreendente: distanciando-se, de alguma forma, da guerra do tráfico de drogas, a capital da nação conseguiu emergir como uma espécie de oásis de segurança.

Lembre-se de que a Cidade do México é, e sempre foi, o coração do país. Um passeio pelo movimentado centro revela seu passado histórico, de seus fundamentos pré-his­pânicos e do esplendor da era colonial à sua ousada face contemporânea. Um caos organizado governa essa megalópole poluída, mas não se assuste: ela oferece muitas válvulas de escape em forma de cantinas à moda antiga, museus intrigantes, murais e passeios de barco pelos anti­gos canais.

 

Museo Frida Kahlo

A Casa Azul foi onde a renomada artista mexicana Frida Kahlo nasceu, viveu e mor­reu; hoje é um museu. Quem vai à Cidade do México a visita para compreender melhor a pintora (e talvez comprar uma bolsa com o seu rosto).

Construída por seu pai, Guillermo, três anos antes do seu nascimento, a casa per­manece repleta de lembranças e objetos pes­soais que evocam sua longa e tempestuosa relação com o marido Diego Rivera e o cír­culo intelectual de amigos de esquerda que eles recebiam ali. Há utensílios de cozinha, joias, roupas, fotos e outros objetos cotidianos da artista entremeados com arte, além de uma variedade de peças pré-hispânicas e artesanato mexicano. A coleção se expandiu muito em 2007, após a descoberta de um esconderijo (no sótão) de itens até então jamais vistos.

A arte de Kahlo expressa a angústia de sua existência, assim como sua admiração por ícones socialistas: há retratos de Lênin e Mao sobre sua cama, e, no ateliê do andar superior, Stálin aparece, num retrato inacabado, de frente para uma cadeira de rodas posicionada de maneira comovente. Em outra pintura, Retrato de la familia, as raízes húngaras e oaxacanas da artista aparecem entrelaçadas de maneira fantástica.

 

Catedral Metropolitana

Catedral da Cidade do México
Foto por: 
SerrNovik/iStock/ThinkStock

 

A estrutura mais icônica da Cidade do México é monumental: tem 109 metros de comprimento, 59 metros de largura e 65m de altura. Sua construção começou em 1573 e continuou durante toda a era colonial; assim, absorveu uma variedade de estilos arquitetônicos, com sucessivas gerações de profissionais lutando para incorporar a ela as inovações de sua época.

O arquiteto orginal, Claudio de Arcinie­ga, a projetou com base na catedral de Se­vilha, com nove naves, mas, depois de pas­sar por dificuldades com o subsolo poroso, ele diminuiu para cinco naves cobertas por arcadas semicirculares. Os portais barrocos de frente para Zócalo, do século 17, têm dois níveis de colunas e painéis de mármore com baixos-relevos. O painel central mostra a Assunção da Virgem Maria, a quem a cate­dral é dedicada. Os singulares topos das tor­res, em forma de sino, foram acrescentados no fim do século 18. O exterior foi concluído apenas em 1813, quando o arquiteto Manuel Tolsá adicionou a torre do relógio – sobre ela, as estátuas da Fé, Esperança e Caridade – e um grande domo central.

A primeira coisa que se nota ao entrar é o elaborado Altar del Perdón, decorado com ouro. Há sempre uma fila de fiéis aos pés do Señor del Veneno, a escura imagem de Cristo à direita. A lenda diz que a figura ficou dessa cor quando absorveu pelos pés miraculosamente uma dose de veneno, saído da boca de um clérigo que tinha re­cebido a substância letal de um inimigo.

O maior tesouro artístico da catedral é o altar dourado do século 18 Altar de los Reyes, que fica atrás do altar principal. Catorze capelas ricamente decoradas se en­fileiram dos dois lados do edifício, enquan­to um coro de madeira feito por Juan de Rojas ocupa a nave central. Enormes pai­néis pintados pelos mestres coloniais Juan Correa e Cristóbal de Villalpando cobrem as paredes da sacristia, que foi a primeira parte da catedral a ser construída.

Os visitantes podem passear livremente por ela, embora se peça para que não o fa­çam durante a missa. Uma doação de M$10 é pedida na entrada da sacristia e do coral, onde monitores dão informações, e você ainda pode subir no campanário. O arcebispo da Cidade do México reza a missa do meio-dia aos domingos.

Anexo ao lado leste da catedral fica o Sagrario Metropolitano, do século 18. Construído para abrigar os ar­quivos e as vestimentas do arcebispo, é hoje a maior paróquia da cidade. A entrada da frente e o portal leste, idêntico a ela, são exemplos maravilhosos do estilo churri­gueresco, excessivamente ornamentado.

 

Plaza Garibaldi

Todas as noites, as bandas de mariachis da cidade se reúnem para tocar baladas senti­mentais nessa praça animada. Com roupas enfeitadas com prata, os músicos afinam seus trompetes e violões até que alguém se ofereça para pagar por uma canção (cerca de M$100). Também na Garibaldi ficam os grupos de son jarocho, vindos de Veracruz, e conjuntos norteños, que tocam músicas folclóricas.

A praça acabou de passar por uma refor­ma, o que melhorou a segurança – mas ainda é preciso tomar cuidado nos arredores. Sua última novidade é o Museo del Tequila y el Mezcal (www.mutemgaribaldi.mx), com exposições que explicam as origens e o processo de produção das duas bebidas des­tiladas à base de agave mais populares do país. A visita se encera com uma degustação num bar estiloso ao ar livre, de frente para a praça. A loja vende boas tequilas e mezcais, embora um tanto caros.

 

Tranvía

Pôr do sol na famosa Avenida Juárez, de onde saem as excursões
Foto por: 
SerrNovik/iStock/ThinkStock

 

Uma versão motorizada de um bonde vin­tage percorre um circuito de 45 minutos pelo Centro Histórico, com guias narrando informações fascinantes (em espanhol) pelo caminho. Nas noites de quinta-feira às 20h, há uma excursão especial pela cantina (re­serve antes). Os passeios saem da avenida Juárez, ao lado do Bellas Artes.

 

Monumento a la Revolución

Monumento a la Revolución, no centro da cidade
Foto por: 
SerrNovik/iStock/ThinkStock

 

Erguido nos anos 1900 sob o governo de Porfirio Díaz, esse monumento seria, originalmente, uma câmara legislativa. Mas a construção (sem falar da presidência de Díaz) foi interrompida pela Revolução. Embora tivessem considerado demoli-lo, o novo regime preferiu modificar a estrutura e atribuir a ela um novo papel. Finalizada em 1938, contém as tumbas de heróis revolu­cionários e pós-revolucionários, como Pancho Villa, Francisco Madero, Venustiano Carran­za, Plutarco Elías Calles e Lázaro Cárdenas.

A praça e o monumento passaram por uma grande reforma em 2010 para comemorar o centenário da Revolução. Do fim da tarde às 22h, luzes coloridas iluminam as fontes da praça, mostrando a arquitetura restaurada do monumento.

A atração principal é o Observatório (www.mrm.mx), ao qual se chega por um elevador de vidro. Essa subida de deixar qualquer um tonto chega a uma escada em caracol que leva até o grande terraço com vista panorâmica da cidade.

Na base da praça, fica também o refor­mado Museo Nacional de la Revolución, que cobre um período de 63 anos, da implementação da constituição de 1857 à ascensão do governo pós-revolu­cionário em 1920. Os textos explicativos são em espanhol.

Este artigo foi publicado em Maio de 2015 e foi atualizado em Maio de 2015.

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