América do NorteDicas e artigos

Os fantasmas do grunge em Seattle

Seattle

Por Pam Mandel

Country rima com Nashville, “Motown” com Detroit, blues com Chichago e St. Louis (dependendo do quão sulista for a sua deprê). O grunge, embora tenha se alastrado pelos Estados Unidos e pelo mundo, nasceu em Seattle quando Kurt Cobain, nativo de Aberdeen, uma cidadezinha deprimente na costa do estado de Washington, lançou um novo som que mudou a nossa relação com a música para a sempre e inspirou muitos imitadores.

O boom da internet mudou a cara de muitos lugares que fizeram a história musical de Seattle, mas, procurando com atenção, você ainda encontrará aquele som despretensioso que definiu os anos 1990. Aqui listamos alguns dos mais importantes.

A vista de Seattle e o lago Shore
Foto por: Robert_Ford/iStock/ThinkStock

 

Sound Garden

Um “Sound Garden” (ou “Jardim de Sons”) é composto por uma série de tubos que cantam quando o vento passa por dentro deles. A banda homônima escolheu seu nome inspirada em uma obra de arte desse tipo, que fica no terreno da National Oceanic and Atmospheric Administration (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), perto do parque Magnuson, em Seattle. Visitas ao local tornaram-se restritas desde o 11 de setembro – uma grande pena, pois, numa noite “ventilada” de verão, é fácil perceber por que a banda fez essa homenagem. Saiba mais em seattle.gov/parks.

 

Black Sun

Outra obra de arte que se tornou conhecida por meio da banda Soundgarden é o Black (Hole) Sun, do artista nipônico-americano Isamu Noguchi, que inspirou a música de mesmo nome. Equilibrado sobre uma base de pedra à beira do reservatório do Volunteer Park, é um ótimo lugar para tirar fotos. Fique na posição exata para que a torre Space Needle fique no meio.

O Space Needle no horizonte de Seattle
Foto por: nickrlake/iStock/ThinkStock

 

Comet Tavern

O Comet não era tão conhecido por shows de música ao vivo, nem um lançador de bandas como o OK Hotel, mas era lá que a moçada bebia cerveja barata nos anos 1990. Mudou de proprietário em 2013, mas os habitantes locais esperam que os novos donos não o “limpem” demais, mantendo-o como o inferninho preferido de Capitol Hill.


Vista do bairro de Capitol Hill, onde fica o Comet Tavern
Foto por: tupungato/iStock/ThinkStock

 

 

Hattie’s Hat

Outro bar que não tem lá muito significado nos anais da história grunge de Seattle, mas que ainda cultiva certo ar daquela época. Você acha que conhece muito rock? Pois prove o quanto você sabe nas noites de quiz do Hattie’s – e, ao mesmo tempo, encha o caneco, claro.

 

Teatro Moore

Em 1907, o Moore estava no auge da elegância. Pule alguns capítulos até a era grunge, forre o chão com compensado grudento e respingado de cerveja e suor e coloque sobre ele uma multidão de adoradores; por fim, dê o palco às bandas Tad, Mudhoney e Nirvana e você terá o Lame Fest de 89, um evento que deu alguma ideia de como viria a ser a cena musical de Seattle nos anos seguintes. Ninguém, menos ainda os músicos, imaginava que a casa lotaria daquele jeito.

 

A galeria do OK Hotel

Foi neste lugar que o Nirvana lançou “Smells Like Teen Spirit”, em 17 de abril de 1991. Todos estavam lá: Mudhoney, Soundgarden, Queens of the Stone Age e o elenco do filme Vida de Solteiro, que se passa em Seattle e retrata a dificuldade de amadurecer daquela geração. O terremoto Nisqually, de 2001, deteriorou o Ok Hotel, que agora é um prédio de apartamentos com uma galeria no térreo, que é aberta toda primeira quinta-feira do mês para o público.

 

Terminal Sales Building

Ela não ocupa mais o último andar desse edifício de 1925, na esquina da First com a Virginia (e hoje ocupado por arquitetos, consultores de investimento e lojas de design), mas a lendária gravadora Sub Pop ainda trabalha firme e forte, a alguns quarteirões de distância dali, onde as sementes para a domínio mundial do grunge foram plantadas. Tente não prestar muita atenção à loja de artigos de maternidade que fica no térreo.

 

Vain Hair Salon

Esse salão de beleza é mais descolado hoje do que era, o oposto do The Vogue, onde o Nirvana estreou. Você pode cortar o cabelo, claro, ou chorar as pitangas observando a fachada – como o antigo lar dos góticos de Seattle, onde a cena musical da cidade explodiu, virou o lugar ideal para se fazer uma escova progressiva?

 

Viretta Park

Ao lado da espaçosa casa de Kurt Cobain e Courtney Love em Leschi, há um pequeno parque com um banco todo grafitado. Fãs vêm aqui para ficar próximos do lugar onde o ídolo do rock tirou a própria vida, em 1994. Posteriormente, Courtney derrubou a casa do jardineiro, onde o corpo foi encontrado, e pediu para a prefeitura tirar uma árvore que os curiosos costumavam escalar para olhar por cima do muro. A casa já não é mais dela, mas o parque ainda é um ponto de encontro de fãs, que se reúnem sob luz de velas, cantam, deixam flores e registram os seus sentimentos no banco.

 

E fora da cidade: Aberdeen

Ao entrar em Aberdeen, você verá o slogan “Come as you are”, colocado ali em 2005, no décimo aniversário da morte de Kurt Cobain. Aberdeen é uma cidadezinha simpática, onde você pode encontrar peregrinos grunges “turistando” na Young Street Bridge ou espiando pelas janelas em forma de colmeia do Rosevear’s Music Center. A cidade mistura a depressão pós-exploração florestal e comércio pesqueiro, o otimismo dos pequenos vilarejos e uma grande concentração de mercados atacadistas. Em dias nebulosos, é fácil imaginar o que se passava pela cabeça de Kurt.

Seattle e o lago Union
Foto por: douglas dickens/iStock/ThinkStock

 

 

Este artigo foi publicado em Fevereiro de 2015 e foi atualizado em Fevereiro de 2015.

América do Norte

Destaques