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Oásis urbanos: as melhores cidades da América Central

Granada, Nicarágua

Por Sarah Gilbert

A América Central é uma das regiões com mais biodiversidade do planeta, no entanto, seus recursos naturais são apenas parte de todo seu encanto. A “doce cintura da América”, como batizou o poeta sul-americano Pablo Neruda, é também rica em história e lar de uma mistura diversificada e dinâmica de culturas.

Mergulhe nos museus, divirta-se entre as joias arquitetônicas e experimente a cultura viva nas ruas dessas cidades espetaculares.

Cidade do Panamá, Panamá

A cidade é repleta de prédios coloniais como da foto acima
Foto por: 
Rafal Cichawa/iStock/ThinkStock

 

O Panamá cosmopolita é um complexo formado por três cidades: ruínas são tudo o que resta do Panamá Viejo, a cidade original abandonada aos piratas no século 17; Downtown é uma mini-Miami com um horizonte de torres de aço e vidro brilhantes onde você encontrará shoppings interessantes, restaurantes de luxo e a vida noturna da Bella Vista; e há ainda o distrito colonial de Casco Viejo, protegido pela UNESCO, uma mini-Havana que está rapidamente se tornando uma cidade-polo cultural graças a uma ambiciosa restauração.

 

O que fazer?

Explore as praças imponentes, as igrejas em ruínas e as ruas escondidas de Casco Viejo, onde você pode comprar “molas”, tecidos decorativos originados da cultura Kuna das Ilhas San Blas ou o trabalho de jovens designers em Diablo Rosso (www.diablo rosso.com), uma loja conceito meio café meio galeria. O terraço do Tántalo Bar é o lugar ideal para um ou dois mojitos ao pôr do sol ou então o The Dining Room no elegante American Trade Hotel. Junte-se aos moradores locais para passear de bicicleta ao longo do Amador Causeway e veja o primeiro projeto latino-americano de Frank Gehry - o novo Biomuseo (biomuseopanama.org).

 

Granada, Nicarágua

Vista de Granada com a catedral ao fundo
Foto por: 
MalgorzataDrewniak/iStock/ThinkStock

 

Uma das cidades mais antigas das Américas, a fotogênica Granada é uma obra-prima colonial. E ela foi projetada como tal: fundada como cidade modelo para o Novo Mundo em 1524 e apelidada de “La Gran Sultana”, como homenagem a sua homônima moura na Espanha, é tão bonita quanto nas fotos e seu rico passado dá-lhe um ar de realeza. Porém ela é uma velha senhora com um futuro brilhante e rapidamente está se tornando um polo gastronômico no país, não havendo lugar melhor para provar diariamente produtos locais gourmet, conferir um rum bem envelhecido à noite e acordar com um café orgânico pela manhã.

O que fazer?

Passar dias tranquilos passeando pelas ruas de paralelepípedos em uma carruagem puxada por cavalos, visitar igrejas ou caminhar das plazas para as lojas. Todo fevereiro, durante uma semana, o Festival Internacional de Poesia atrai poetas e amantes da poesia de todo o mundo para leituras e concertos. O histórico Convento y Museo San Francisco é um museu e centro cultural, bem como a igreja mais antiga da América Central. Você pode experimentar um delicioso bife orgânico no elegante Ciudad Lounge (www.ciudadlounge.com) e ainda entregar-se a uma taça do rum Flor de Caña, produto local da Nicarágua e um charuto Estelí enrolado à mão. Granada é também um dos melhores lugares da América Central para aprender espanhol – entre em contato com uma escola sem fins lucrativos como a Casa Xalteva. Para aqueles que desejam mergulhar mais fundo, há muitas oportunidades de voluntariado.

 

León, Nicarágua

Fonte Rubén Darío no centro, com Catedral de León ao fundo
Foto por: 
robert lerich/iStock/ThinkStock

 

León colonial, a antiga capital, é a prima mais liberal, mais ousada de Granada, onde marcas de bala ainda podem ser vistas nos imponentes edifícios e murais revolucionários em ruínas ainda adornam a cidade. Ela abraça duas fortes paixões do país - política e poesia - e tem a animação, a vivaz sensação de uma cidade universitária, com uma vida noturna à sua altura. Fuja do calor abafado das praças sombreadas para sentir um pouco da verdadeira vida da Nicarágua.

O que fazer?

Você encontrará uma coleção magnífica de arte contemporânea no Museo de Arte Fundación Ortiz-Guardián, incluindo obras de mestres latino-americanos como Rivera e Botero. A imponente Catedral é a maior da América Central, com vista panorâmica da cidade e vulcões em atividade. Lá dentro está sepultado o poeta nacional da Nicarágua, Rubén Darío, juntamente com alguns outros mestres líricos locais de León. A Galería de Héroes y Mártires, dirigida por mães de sandinistas mortos no conflito da guerra civil, é uma lembrança da história mais recente da cidade. 

 

Antígua, Guatemala

Os turistas lotam Antígua, uma bela cidade situada entre três vulcões, por causa do esplendor colonial de suas igrejas, conventos e palacetes, misturado a uma cultura cosmopolita de cafés, escolas de espanhol e boutiques que vendem indiscutivelmente o melhor artesanato da América Central. Sua popularidade criou um híbrido de influências guatemaltecas coloniais e contemporâneas de expatriados - é inegavelmente colonizada, mas ainda assim encantadora.

O que fazer?

A Semana Santa (a semana que antecede a Páscoa) é comemorada em toda a região, mas é particularmente espetacular na Antígua, onde os guatemaltecos em total contemplação religiosa enchem as ruas vestidos com casacos com capuz roxo que compõem grandiosas procissões; alfombras (tapetes) impressionantes feitos de serragem colorida e pétalas de flores cobrem a rua; e o incenso se espalha suavemente através das multidões e desfiles. Para participar, reserve hospedagem com antecedência.

A cidade está repleta de igrejas coloniais e conventos; alguns dos melhores são o Convento de Capuchinas, o San Francisco, o Santo Domingo e o La Merced. Sabores internacionais estão por toda parte, mas para comer como um morador local, vá ao pequeno Tienda La Canche e peça um cozido. Colibri é o lugar para comprar requintados tecidos feitos por uma cooperativa local de mulheres.

 

Chichicastenango, Guatemala

Vendedora de flores na famosa feira de Chici
Foto por: 
WakawakaStudios/iStock/ThinkStock

 

A atração mais óbvia de Chici é sua colorida e popular feira, que acontece duas vezes por semana - uma das maiores da América Central – e é realizada às quintas-feiras e aos domingos. Conhecemos a cidade por seu artesanato, mas ela não é só para os turistas: aldeões Maya vêm de muito longe para comprar e vender de tudo, desde flores e frutas até galinhas vivas. Não basta passar o dia; exceto pelos grupos turísticos, Chichi é totalmente diferente - uma cidade serrana mística e envolta em névoa, onde a tradição Maya anda de mãos dadas com a influência católica espanhola.

 

O que fazer?

Às quartas-feiras e aos sábados à noite, os comerciantes da feira Maya migram para a cidade e você pode vê-los montando suas barracas - e dormindo nelas. A Iglesia de Santo Tomas revela a religião híbrida de Chichi; visite e passe algum tempo observando os cânticos rituais e orações. Bem ao sul da cidade, Pascual Abaj, está uma colina com um santuário para Huyup Tak'ah ou o deus da terra, onde os moradores locais deixam regularmente oferendas, tudo puramente Maya. Ou então experimente conhecer o pequeno Museo Rossbach, que exibe uma série de artefatos pré-colombianos. Se você for em dezembro, um dos grandes espetáculos são as acrobacias estonteantes dos moradores locais que voam em torno de um poste de 30m durante a Fiesta de Santo Tomás que acontece na praça principal.

 

Suchitoto, El Salvador

Praça e igreja de Suchitoto
Foto por: 
fotoember/iStock/ThinkStock

 

Aclamada como a próxima Antígua, a arquitetura colonial e os paralelepípedos das ruas de Suchitoto ainda permanecem intactos porque seus habitantes fugiram durante a brutal guerra civil que teve início na década de 1980 e durou 12 anos. Capital cultural durante o auge do comércio índigo do século 18, hoje a arte está por toda parte, mais uma vez. Galerias e boutiques se alinham pelas vias da cidade e às sextas-feiras os hip capitalinos de San Salvador agitam na cidade. A visita já vale a pena somente por causa das pupusas (panquecas de milho recheadas com queijo).

 

O que fazer?

Não perca a escultura-arte feita de armas no parque antes de se mergulhar nas inúmeras galerias e boutiques, ou visite o Así es mi Tierra Artisan Market, que acontece todo fim de semana. Conheça La Casa del Escultor, do escultor argentino Miguel Martino (miguelmartino.com), parte estúdio, parte galeria e parte restaurante, além de Los Almendros de San Lorenzo, uma fazenda em ruínas transformada em um elegante hotel boutique que recebe exposições durante todo o ano. Quando a noite chegar, tome um drink em meio ao espírito revolucionário do El Necio, comandado por um amistoso ex-guerrilheiro. Nos finais de semana de fevereiro, acontecem apresentações de música, dança e teatro no restaurado Teatro de las Ruinas, como parte do Festival Internacional de Artes e Cultura.

 

San José, Costa Rica

À primeira vista, a expansão urbana de Chepe - como os costarriquenhos chamam sua capital - não é a mais atrativa das cidades. Vá um pouco mais fundo e perceberá que há encantos que valem a pena serem explorados. Ela é o lar de alguns dos melhores museus da região; arroz e feijão ficam de fora do cardápio de seus restaurantes requintados; e há uma cena emergente de cervezas artesanais e cafés de alto-nível para serem apreciados na manhã seguinte.

 

O que fazer?

Descubra a esquecida história pré-colombiana deste país no deslumbrante Museo de Oro Precolombino y Numismática, a maior coleção do mundo de jade americana no Museo de Jade e a coleção mais importante de arte moderna da América Central no Museo de Arte y Diseño Contemporáneo. Nos históricos e agora em voga barrios de Amón e Otoya, as ruas arborizadas estão se enchendo de bares e restaurantes modernos. Para conferir as famosas credenciais ecológicas da Costa Rica na capital, esparrame-se em um quarto no Hotel Grano de Oro, estabelecido em uma mansão do século 20 e que tem classificação de sustentabilidade máxima “Cinco folhas”.

 

Sarah Gilbert é escritora freelancer, fotógrafa e vive em Londres. Fã de longa data da América Latina, ela passou nove meses mochilando do México ao Chile e está sempre à procura de uma desculpa para voltar. Você pode entrar em contato através do Twitter: @SarahGTravels .

Este artigo foi publicado em Maio de 2015 e foi atualizado em Maio de 2015.

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