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Labirintos do Marrocos: as medinas mais bonitas do país

Mercado de rua no Marrocos

É possível passar dias e dias nas melhores medinas do Marrocos – perdendo-se, tomando chá e se perdendo de novo. A surpresa de descobrir lugares por acaso faz parte do encanto. Você encontrará medinas mágicas por todo o país, cada qual com um sabor especial. Aqui vai uma seleção de algumas das mais charmosas.

 

Medina de Marrakech

Já no portão de entrada da medina é possível ver a beleza do que vem pela frente
Foto por: sandsphere/iStock/ThinkStock

 

A maioria dos monumentos fica dentro das muralhas da medina (um circuito de 19km). Se você sair explorando os souqs e palácios, peça a alguém (de preferência um lojista, já que as crianças às vezes enganam os turistas) para lhe mostrar o caminho para a Jemaa el-Fna ou vá ao minarete da Koutoubia, o mais alto da cidade.

Os principais souqs, mesquitas e zawiyas (santuários) de Marrakech ficam ao norte da Jemaa el-Fna, e a maioria dos palácios fica ao sul, na Rue Riad Zitoun el-Jedid, na direção do mellah. Saindo do mercado coberto do mellah, siga ao longo das muralhas e você chegará ao Bab Agnaou, o triunfal portão de entrada da casbá real. No interior, há túmulos dourados de príncipes saadianos, o palácio real (fechado a visitação) e 16ha de jardins, que datam de 1166 d.C.

No Ramadã, os prédios oficiais fecham uma ou duas horas mais cedo; os souqs em geral funcionam das 9h às 19h, embora muitas lojas não abram nas tardes de sexta.

 

Medina de Tânger

A Europa fica do outro lado do estreito de Gibraltar, mas parece estar a um mundo de distância em meio às casbás e aos souqs da medina de Tânger. Lugares como a praça Petit Socco foram repaginados como parte da revitalização da cidade.

A medina é a maior atração de Tânger, um labirinto de travessas tanto comerciais quanto residenciais abrigadas pelas muralhas de um forte português do século 15. Limpa e bem iluminada, a área é repleta de tesouros para os viajantes, de vislumbres de antigos meios de vida a recompensas mais materiais nos souqs. O ideal é se perder e vagar por algumas horas, embora haja um punhado de lugares que não podem passar em branco. Chegue o mais perto possível do seu destino e peça informações se tiver problemas. Jovens ficarão felizes em guiá lo (em troca de alguns dirhams).

 

Medina de Xexuão

É claro que a medina de Xexuão seria toda azul e branca
Foto por: danmirica12/iStock/ThinkStock

 

A medina de Xexuão é uma das mais adoráveis do Marrocos. Pequena e tranquila, é fácil de explorar, com vielas serpenteantes suficientes para deixá-lo desnorteado, mas compacta o bastante para que você nunca se perca. A maioria dos prédios é de um azul e branco ofuscante, o que lhes dá uma aparência fresca e limpa, com telhas de terracota que acrescentam sabor andaluz.

 

Medina de Meknès

Uma das atrações de Meknès é o Mausoléu de Moulay Ismail
Foto por: Kikoa/iStock/ThinkStock

 

O coração da medina de Meknès é a Pl el-Hedim, a grande praça em frente ao Bab al-Mansour. Construída por Moulay Ismail e originalmente usada para proclamações reais e execuções públicas, é um bom lugar para se sentar e ver o movimento – crianças jogando bola, ambulantes vendendo curas milagrosas e famílias passeando. Há sempre algo acontecendo, e a sensação é de que as autoridades da cidade adorariam transformar a praça em algo equivalente à Jemaa el-Fna, de Marrakech. Uma das laterais é margeada por cafés e restaurantes; atrás deles, há um excelente mercado coberto com bancas de frutas e verduras.

Ao sul, o imponente portão monumental Bab al-Mansour leva à cidade imperial de Moulay Ismail. As ruas estreitas do antigo mellah ficam no oeste da medina – procure as casas antigas com sacadas, tão características do bairro judaico.

O caminho mais fácil para chegar aos souqs é seguir pelo arco à esquerda do Museu Dar Jamaï, na Pl el-Hedim. Continue adiante e logo se verá em meio a barracas de lembranças e lojas de tapetes.

 

Fès el-Bali

O Bab Bou Jeloud é o principal portão de entrada de uma das medinas mais bonitas do país
Foto por: Jordi_Santacana/iStock/ThinkStock

 

Ir da ville nouvelle para Fès el-Bali é como voltar no tempo. A essência da medina não mudou em quase um milênio de história, pois as colinas ao redor contiveram a expansão. O último impulso de crescimento na medina ocorreu no século 13, com a construção do bairro de Fès el-Jdid. Hoje, cerca de 156 mil pessoas ainda vivem nesse labirinto de vielas, becos sem saída e souqs escondidos, que para os turistas é um dos mais inebriantes lugares a visitar no Marrocos.

O portão Bab Bou Jeloud é a principal entrada do centro histórico, com duas ruas que descem para o coração da medina. À esquerda de quem entra fica a Talaa Kebira (Grande Ladeira), com a Talaa Seghira (Pequena Ladeira) à direita. Ambas convergem perto da Pl an-Nejjarine, levando à Mesquita Al Quaraouiyine e ao Zawiya de Moulay Idriss II – o coração da cidade. A partir desse ponto é ladeira acima até aos portões Bab Guissa e Bab Jamaï, ou siga para o sul em direção ao Bab R’cif. A área de R’cif recebeu atenção especial, com um novo portão, uma praça reformada e a revitalização da orla do rio (ainda em andamento), e provavelmente proporcionará uma perspectiva alternativa da medina.

Os principais pontos turísticos são apenas uma pequena parte do charme da medina. Vale a pena sair explorando a área a esmo; basta seguir seu nariz e seus ouvidos para descobrir os encantos mais inesperados de Fez. Seu olfato o levará até mulheres com maços de ervas recém-cortadas, crianças carregando bandejas de pães a serem assados na padaria local ou a um café onde são vendidos copos de café berbere com especiarias. Na próxima esquina você pode encontrar uma fonte adornada com belos azulejos, uma oficina de baldes de madeira de hammam, uma cabeça de camelo indicando um açougueiro especializado ou apenas um grupo de meninos indo jogar bola. Em todos os lugares, fique atento aos gritos de “balek!” (“cuidado!”), alertando que uma mula muito carregada se aproxima.

A navegação pode ser confusa, e é certo que você vai acabar se perdendo, mas encare como parte da aventura. Uma dica útil é observar as ruas “principais”, que levam a um portão ou ponto de referência – é só seguir o fluxo maior de pessoas. Peça informações aos lojistas ou recorra às crianças que adoram resgatar estrangeiros confusos em troca de um ou dois dirhams.

 

Esta matéria faz parte do Guia Marrocos, que será lançado pela Lonely Planet em maio. Quer conhecer o melhor desse país cheio de beleza e história? Fique atento!

Este artigo foi publicado em Abril de 2015 e foi atualizado em Abril de 2015.

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